A ministra de Asilo e Migração da Bélgica, Anneleen Van Bossuyt, disse este domingo que se opõe à entrada no país europeu de 13 estudantes palestinianos provenientes da martirizada Faixa de Gaza, alvo de uma ofensiva genocida levada a cabo por Israel há quase três anos.
Apesar de os jovens disporem de bolsas de estudo atribuídas por instituições belgas e vistos aprovados para estudarem no país, Van Bossuyt (membro do partido de direita Nova Aliança Flamenga) disse numa entrevista à TV pública VRT que as autoridades devem avaliar as implicações a longo prazo da medida e alertou para um «efeito dominó».
«Apresenta-se [o caso] como se dissesse respeito a apenas 13 pessoas, mas não podemos esquecer o efeito dominó», disse a ministra, citada pela agência Anadolu, argumentando que estes bolseiros podem mais tarde recorrer ao mecanismo da reunificação familiar ou pedir asilo.
A responsável da pasta da Migração belga questionou a possibilidade de atribuição de concessões especiais a este grupo de palestinianos, comparando a sua situação à de cidadãos de outros países com conflitos bélicos.
«Porque não se aplicaria isto a pessoas do Iémen ou do Sudão? Ou porque não a raparigas do Afeganistão que querem estudar aqui?», perguntou, acrescentando: «Considero ser meu dever alertar para isso.»
Governo belga sem pressas
Segundo refere o canal VRT, alguns dos estudantes palestinianos originários de Gaza estão à espera há dois anos para poderem entrar na Bélgica e iniciar os seus cursos, sem que o executivo belga dê indicações de ter pressa para tomar uma decisão.
Na semana passada, o canal belga falou com vários estudantes palestinianos que, apesar dos vistos aprovados e das bolsas atribuídas, não são bem-vindos ao país europeu.
Herwig Leirs, reitor da Universidade de Antuérpia, frisou que autorizar a entrada dos estudantes palestinianos no país é uma questão de vontade política.
«Direito a entrar na Bélgica»
Flor Didden, representante da organização belga de desenvolvimento 11.11.11, lamentou a atitude de Van Bossuyt e criticou-a, sublinhando que os estudantes foram convidados por uma universidade belga e receberam bolsas.
«Estamos a falar de 13 estudantes que foram convidados por uma universidade belga e a quem foi atribuída uma bolsa», disse Didden.
«Nalguns casos, o Departamento de Asilo e Migração aprovou-lhes o visto. Têm direito a vir para a Bélgica», defendeu.
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