Familiares, organismos sociais e de defesa dos migrantes denunciaram que o Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) mente sobre as condições das suas instalações, na sequência da morte de López Cornejo, de 41 anos, ocorrida no sábado passado no centro de detenção de Delaney Hall, em Newark (estado de Nova Jérsia), e confirmada pelo Departamento de Segurança Nacional (DHS, na sigla em inglês).
López Cornejo, que já tinha sido deportado em 2006, encontrava-se sob custódia do ICE desde 18 de Junho último, acusado de ter entrado de forma irregular em território norte-americano, e faleceu, de acordo com a informação oficial, por causa de uma «emergência médica». O seu caso vem juntar-se às mais de duas dezenas de mortes (22 até 15 de Julho) registadas sob custódia do ICE em 2026.
Numa mobilização convocada esta terça-feira pelo grupo Cosecha New Jersey, a dirigente Jenny García interveio para instar os meios de comunicação a «não regurgitarem as mentiras do ICE», tendo advertido que o organismo federal «vai negar que tivesse privado Edwin de medicação», apesar de representantes legais de outros detidos terem comprovado a falta recorrente de cuidados médicos, indica a TeleSur.
O centro de detenção de Delaney Hall é operado pela empresa privada de prisões GEO Group, tendo sido reaberto em Fevereiro de 2025 no âmbito das políticas migratórias da administração de Donald Trump.
«Quando López Cornejo sofreu uma emergência médica, sob custódia do ICE, o pessoal do GEO e a equipa médica responderam imediatamente e ligaram para o 911 para que viessem os serviços médicos de emergência. A determinação da causa oficial da morte ainda depende de exames médicos adicionais», afirmou o DHS em comunicado.
Familiares denunciam negligência médica
María Cornejo, mãe da vítima, disse que o seu filho sofria de diabetes, hipertensão e convulsões. Em declarações divulgadas pelo Cosecha New Jersey, referiu que o filho lhe comunicou o mal-estar físico na passada sexta-feira, denunciando assim que os responsáveis do recinto não lhe proporcionaram o tratamento necessário.
Acompanhada por outros familiares, a mãe reclamou justiça para o filho e a neta, que ficou órfã, reafirmando a denúncia de «negligência médica». Cornejo disse ainda possuir uma gravação realizada no hospital que evidencia que o seu filho já ali chegou sem vida.
No seu texto, o DHS rejeitou as acusações da família, afirmando que, enquanto permaneceu sob custódia, López Cornejo «recebeu cuidados médicos adequados e foi examinado por profissionais de saúde».
Na manifestação convocada pela organização Cosecha New Jersey, em Newark, estiveram familiares de outras pessoas que se encontram detidas em Delaney Hall. Uma delas foi Maribel Encalada, que expôs o caso do seu pai, com hipertensão arterial e uma infecção odontológica diagnosticadas, e que «continua sem ser tratado».
Obstáculos à fiscalização em Delaney Hall
Por seu lado, a governadora de Nova Jérsia, Mikie Sherrill, anunciou nas redes sociais que está a coordenar acções com membros do Congresso «para recolher todos os dados em torno desta morte», e denunciou a existência de obstáculos à monitorização das condições de saúde dentro da unidade.
Sherrill declarou que os esforços para bloquear a fiscalização levantam questões sobre o que está a acontecer no interior de Delaney Hall e sobre o que estão a tentar esconder aqueles que operam o centro de detenção.
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