A decisão de baptizar com o nome do Presidente dos EUA a auto-estrada que irá ligar a cidade de Tiznit, no sul de Marrocos, ao futuro Porto Atlântico de Dakhla, no Sahara Ocidental ocupado, vem no seguimento do reconhecimento, por parte da primeira administração Trump, da soberania de Marrocos, enquanto potência ocupante, sobre o Sahara Ocidental.
Com esta denúncia, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) chama ainda a atenção para o desenvolvimento ocorrido nos últimos anos nas relações Marrocos-Estados Unidos, «com o financiamento militar dos americanos às forças de ocupação marroquinas, nomeadamente no em relação ao muro militar de 2700 km», que divide o Sahara Ocidental entre zona ocupada e zona libertada e, consequentemente, «famílias exiladas e seus familiares sob ocupação, repressão e tortura».
Entretanto, o MDM relembra o acordo que levou ao cessar-fogo da Guerra pela independência do Sahara Ocidental, em 1991, através da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (Minurso), que incluía no seu mandato a realização de um referendo para avaliar a opção da população saharaui: escolher entre a integraçãodo em Marrocos ou a independência. Um referendo que, 35 anos depois, ainda não foi realizado.
Por outro lado, o MDM destaca o espólio de recursos naturais, de direitos sociais, políticos e económicos do povo saharaui população, para além das «sucessivas tentativas de silenciar um povo que não tem nem o direito a expressar-se na sua língua materna, o Hassanyia, nem vestir os trajes tradicionais, como a mehlfa».
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