Organizada por Haim Bibas, presidente da Federação das Autoridades Locais em Israel e presidente da Câmara de Modiin-Maccabim-Reut, e ex-responsável pela campanha eleitoral de Benjamin Netanyahu para o cargo de primeiro-ministro, a Muni Expo, realizada em Tel Aviv, é uma «exposição de inovação urbana» que procura congregar «líderes, inovadores, empreendedores e decisores».
A 75 quilómetros, em Gaza, as forças israelitas matam e arrasam território palestiniano, o que parece não ter incomodado os que marcaram presença no evento. Conforme transmitido pelos canais da embaixada de Israel em Portugal, «centenas de presidentes de Câmara de todo o mundo, incluindo autarcas e altos funcionários municipais de Portugal, visitaram Israel a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita».
Enquanto na Faixa de Gaza cerca de 90% da infra-estrutura hídrica e de saneamento foi destruída pelas forças de ocupação israelitas, e o bloqueio sistemático de equipamentos e combustível impede a sua reparação, o certame ofereceu, segundo comunicação oficial, «soluções inteligentes para as cidades, como a poupança de água, o tratamento de esgotos e a gestão de catástrofes naturais» – vantagens enaltecidas pelo presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, nas suas redes sociais.
A delegação portuguesa contou com Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, e com António Morais Soares, vereador da Câmara Municipal de Cascais.
Oficialmente dedicada ao tema das «cidades inteligentes», a feira foi palco de elementos do governo de Netanyahu e dele próprio, que no seu discurso alegou não ter pedido autorização aos EUA para atacar o Irão. «Eu nunca pedi permissão a Trump para atacar o Irão, no ano passado. Eu simplesmente informei-o», vangloriou-se.
Por sua vez, o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, declarou que o seu país controla 70% da Faixa de Gaza e que não faz parte do mecanismo de supervisão no Líbano por vontade própria: «Deixamos claro que em nenhuma circunstância nos retiraremos, e a partir deste momento, isso é uma conquista diplomática, não há nenhuma exigência americana para que Israel se retire do Líbano.»
Além desta garantia, o alto dirigente israelita afirmou que «as Forças de Defesa de Israel estão a um passo de dominar o Irão em três horas. O regime iraniano já perdeu mais de 400 mil milhões de dólares na última operação. Estamos a expandir a nossa área de controlo em Gaza. Controlamos 70% de Gaza. Não há guerra sem restrições, é melhor não ser populista».
Também o ministro da Defesa isralita, Israel Katz, afirmou sem pudor que Israel não se retirará do sul do Líbano. «Soldados dentro, moradores fora. A infra-estrutura está destruída, as casas estão ameaçadas e destruídas. Não vamos recuar», disse.
A Muni Expo decorreu entre os dias 23 e 24 de Junho e enquanto os autarcas portugueses, a convite das mais altas autoridades sionistas, se regozijavam com a «inovação», Israel ia atacando os países vizinhos e prosseguindo, impune, o genocídio na Palestina.
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