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Soldado das IDF acusado de vários crimes vem a Portugal realizar um retiro de surf

Shimon Avi Zuckerman, alvo de uma queixa-crime na Alemanha por genocídio e crimes de guerra em Gaza, está a organizar um retiro de surf em Portugal. O cidadão germano-israelita publicava vídeos a gabar-se dos crimes cometidos.

Um soldado com dupla nacionalidade alemã e israelita, que se encontra sob investigação por suspeitas de crimes de guerra e genocídio na Faixa de Gaza, está a organizar um retiro de surf na Ericeira entre os dias 5 a 17 de Julho. A denúncia parte da organização Ericeira for Palestine.

Shimon Avi Zuckerman, um engenheiro de combate que serviu no Batalhão 8219 da 551ª Brigada do exército israelita, é alvo de uma queixa-crime apresentada pela Fundação Hind Rajab (HRF) junto do Procurador-Geral Federal da Alemanha. A organização acusa Zuckerman de violar o Código Alemão de Crimes Contra o Direito Internacional, com base em evidências documentadas pelo próprio soldado e publicadas nas redes sociais e acusa o soldado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

De acordo com a queixa, Zuckerman documentou activamente a sua participação em operações militares em Gaza, partilhando imagens e vídeos nas suas redes sociais. As gravações mostram a destruição de infraestruturas civis palestinianas. As imagens em causa mostram Zuckerman a accionar detonações, a celebrar as demolições e a posar para a câmara enquanto edifícios desabam ao fundo.

Entre os crimes mais graves em que Zuckerman esteve envolvido está a Operação «Nir e Oz», na qual a cidade de Khuza'a, lar de aproximadamente 5000 pessoas, foi completamente demolida. A unidade de Zuckerman, o 8219º Batalhão de Engenharia, desempenhou um papel central na destruição dessa área civil, reduzindo a escombros casas, escolas, mesquitas, uma estação de tratamento de água e um prédio comunitário .

A Fundação Hind Rajab exigiu, deste modo, a abertura de uma investigação formal na Alemanha e a emissão de um mandado de captura e a prisão preventiva de Zuckerman, dada a gravidade dos crimes e a sua mobilidade como cidadão com dupla nacionalidade. Além da Alemanha, a organização apresentou ainda queixas na Grécia, Bélgica, Brasil, França, Países Baixos e Reino Unido, num esforço para restringir os movimentos de militares israelitas acusados de crimes de guerra.

É neste contexto que a notícia da presença de Zuckerman em Portugal surge numa altura em que a HRF intensifica a sua campanha legal a nível global, visando indivíduos que cometeram crimes em Gaza.
 

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