O PEV enviou, no passado dia 6, uma Carta Aberta ao Ministério do Ambiente e Energia, através da qual apelou à realização de uma diligência junto do Governo espanhol, no sentido de exigir a rejeição de uma prorrogação do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 2030.
Na resposta à pergunta que lhe foi dirigida, segundo informação do PEV, o Governo indicou que até 13 de Agosto não havia informação oficial do Governo espanhol quanto a qualquer alteração da data prevista para o encerramento da Central e que «Portugal tem defendido a necessidade de ser envolvido em qualquer desenvolvimento associado à Central Nuclear de Almaraz».
O Governo, ainda segundo os Verdes, referiu «a sua preocupação quanto a uma possível extensão da vida útil da Central, acrescentando que, caso se verifique qualquer alteração da data até agora assumida, Portugal fará uso dos mecanismos ao seu dispor para assegurar o devido acompanhamento deste processo». Por outro lado, o Governo adiantou igualmente que «Portugal e Espanha mantêm uma estreita articulação, o que inclui a realização de reuniões periódicas, nas quais Portugal tem reiterado o seu interesse em acompanhar de perto qualquer desenvolvimento e manifestado a sua preocupação relativamente à possível extensão da vida útil da Central.»
Entretanto, face à informação de que o Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico de Espanha anunciou, a 14 de Agosto, a renovação da licença de operação dos Reactores I e II da Central Nuclear de Almaraz até Junho de 2030, o PEV afirma desconhecer «quaisquer esforços do Governo português», após o anúncio da prorrogação da actividade da central nuclear de Almaraz.
Perante esta situação, Os Verdes sublinham, por um lado, que, ou a articulação com Espanha não funciona, ou «o Governo português não foi transparente ao indicar, na resposta que remeteu ao PEV, que desconhecia qualquer informação relativa à prorrogação do prazo de funcionamento da central até 2030». Por outro lado, alerta para o facto da central nuclear de Almaraz ter ultrapassado, há muito, o seu período de vida útil, encontrando-se um dos reactores em funcionamento desde 1983 e o outro desde 1984, para além de apresentar «problemas de segurança recorrentes».
Neste quadro, o PEV considera que o prolongamento do período de funcionamento da central «constitui uma ameaça nuclear muito considerável, com impactos gravosos para o nosso país».
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