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Distribuir prémios «não dispensa» o aumento dos salários na Cabelte

A administração da Cabelte anunciou prémios no valor total de 1 milhão de euros. Em média, dois mil euros a cada trabalhador, mas para a «grande maioria» a quantia «ficou muito longe de tal importância», acusa a Fiequimetal/CGTP.

Créditos / Cabelte

Com lucros recorde em 2025, a Cabelte, maior produtora nacional de cabo eléctricos e de telecomunicação, aplicou aumentos salariais de 25, 50 ou 75 euros, dependendo da avaliação dada a cada trabalhador. Para muitos, denuncia a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal/CGTP-IN), o aumento acabou por ser «inferior ao valor de actualização do salário mínimo nacional» e da inflação.

Este ano, a empresa encontrou uma nova solução: distribuir um milhão de euros em prémios aos trabalhadores. No entanto, «os truques de ilusionismo não pagam as contas do mês», a grande maioria dos profissionais das fábricas em Arcozelo (Vila Nova de Gaia) e Ribeirão (Vila Nova de Famalicão) terão recebido valores reduzidos, muito distantes da média de 2 mil euros anunciada pela Cabelte, acusa a federação sindical.

Segundo a Fiequimetal, muitos trabalhadores da Cabelte estarão a ser penalizados no prémio pela sua adesão às acções de luta realizadas ao longo do último ano. Desde 2025, foram realizadas vários momentos de greves parciais de duas horas por turno, reivindicando «melhores salários, a 5.ª diuturnidade (prémio de antiguidade na categoria) e que o trabalho seja considerado como nocturno a partir das 20h».

Neste caso, a administração «usou o poder da avaliação, que tanto serve para premiar como para castigar» para atingir aqueles que «exerceram um direito que a Constituição lhes reconhece: o direito à greve». Não seria uma situação excepcional: em Março de 2025, o SITE Norte/CGTP-IN apresentou uma denúncia à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) contra a Cabelte por substituição de trabalhadores em greve, um entre vários casos que se verificaram ao longo de anos de comportamentos «persecutórios, discriminatórios e intimidatórios».

 

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