Passar para o conteúdo principal

|Vitórias Laborais

IQOS: em 2026, trabalhadores ainda lutam pelo direito a um banco para se sentarem

No início, a Tabaqueira II, subsidiária da Phillip Morris, considerava a existência de um banco, para evitar que os trabalhadores ficassem oito horas em pé, era um «não-assunto». Protestos forçaram a empresa a reconsiderar.

Créditos / UBBO

À primeira vista, a reivindicação dos trabalhadores das lojas IQOS não é «particularmente extravagante», reconhece o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN). Estes profissionais, obrigados a ficar em pé mais de oito horas por dia, não exigiam «sofás de luxo, cadeirões de massagens ou espreguiçadeiras com vista para o mar». 

«Exigia-se apenas o cumprimento das normas legais de segurança e saúde no trabalho, nomeadamente o Decreto-Lei n.º 243/86, que prevê a disponibilização de assentos apropriados para permitir o trabalho sentado sempre que compatível com a actividade». Os trabalhadores e o seu sindicato consideram que vender tabaco aquecido configura uma actividade compatível com um pequeno banco.

Ao início, a Tabaqueiro II, subsidiária portuguesa da gigante norte-americana Phillip Morris, considerava que a situação a que estava a expor os seus trabalhadores era um «não assunto». Uma posição que se alterou à medida que os trabalhadores foram organizando abaixo-assinados e o SINTAB foi escalando a sua intervenção junto das chefias da empresa. Ano e meio depois, com voltas e reviravoltas, a Tabaqueiro II acabou por assumir que procederia à distribuição dos bancos exigidos pelos trabalhadores.

«A comunicação foi transmitida por gerentes de loja que apresentaram a medida como demonstração do cuidado e da preocupação existentes com as condições de trabalho dos seus trabalhadores», os mesmos responsáveis da empresa que, um ano antes, «tinham contribuído para convencer a empresa de que a falta de bancos» era uma questão que não se colocava.

Esta vitória, afirma o SINTAB, «pertence aos trabalhadores que denunciaram o problema, que assinaram o abaixo-assinado, que confiaram na sua organização sindical e que não desistiram perante as sucessivas tentativas de desvalorização da sua reivindicação».

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui