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Trabalhadores da agência Lusa repudiam «ingerência editorial» da administração

Com a participação de cerca de 150 trabalhadores, o plenário da Lusa aprovou (com apenas uma abstenção) um voto de repúdio contra a «má gestão e desrespeito» dos administradores da maior agência de notícias de língua portuguesa. 

Créditos Tiago Petinga / Agência Lusa

«Pelos actos praticados contra a Lusa e os seus trabalhadores», os cerca de 150 profissionais da agência Lusa que participaram esta segunda-feira num plenário fizeram aprovar (com apenas uma abstenção) um voto de repúdio contra a «má gestão e desrespeito» que caracteriza, na opinião dos trabalhadores, o comportamento do Conselho de Administração (CA).

A actual administração da Lusa foi nomeada pelo Governo PSD/CDS-PP no início de 2026 para um mandato de quatro anos, sendo composta pelo presidente Joaquim Carreira (gestor, que assumiu o cargo de director financeiro em empresas como a Eurest, Roche Farmacêutica e Boeheringer Mannheim) e os vices Luís Ferreira Lopes (jornalista, antigo conselheiro de Marcelo Rebelo de Sousa, com ligações ao fundo Alpac Capital, financiado pelo antigo presidente da Hungria, Viktor Orbán) e Ana Alves (economista que passou por empresas como a Siemens e a Sovena).

A experiência no mundo empresarial não impediu que o actual CA comete-se uma «sucessão de actos de má gestão e desrespeito pelas normas de independência» da Lusa, práticas que os trabalhadores consideram estar a resultar numa instabilidade permanente do trabalho da redação.

Os trabalhadores destacam «a denúncia hostil do Acordo de Empresa, a ausência de negociações sobre os aumentos de 2026, que fazem parte do caderno reivindicativo, a ingerência editorial na definição de novos contratos com chefes de delegações e no processo de escolha de um novo jornalista para a delegação de Bruxelas, decisão da responsabilidade da Direcção de Informação», como exemplos da «sucessão de actos de má gestão e desrespeito pelas normas de independência» praticados pela administração.

As «repetidas tentativas de interferência na esfera editorial» alegadamente levadas a cabo pelos membros do CA «representam um cruzamento de uma fronteira inegociável». Os trabalhadores da Lusa temem que a próxima Direcção de Informação, nomeada pelos actuais integrantes do Conselho de Administração, «seja permeável a interferências» políticas.

O documento aprovado pelo plenário apela ainda à maior atenção dos partidos durante o debate sobre os novos estatutos da agência Lusa (propostos pelo ministro António Leitão Amaro) que vão ser discutidos esta terça-feira na Assembleia da República. Uma deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) identificou várias irregularidades nestes estatutos, prontamente «desvalorizados» pela administração.

«É urgente repor a legalidade de que os actuais estatutos carecem e garantir que os futuros respeitam o direito nacional e europeu em matéria de liberdade de informação e de preservação dos direitos dos jornalistas», afirmam os trabalhadores da maior agência de notícias de língua portuguesa.

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