O conselho de administração da RTP (que, por via de uma actualização automática, beneficiou de aumento de cerca de 11% no último ano, perfazendo um custo anual de 422 160 euros) começou o processo negocial de 2026 com a apresentação de uma proposta de aumento de 5 euros mensais nos salários, um acréscimo anual de 70 euros para cada trabalhadores da Rádio e Televisão Pública.
Era uma proposta «insultuosa», recordam, em comunicado conjunto, os vários sindicatos representativos dos trabalhadores da RTP. E esta parca valorização não vinha só: para a aceitarem, os sindicatos teriam ainda de tolerar um «violento corte nos benefícios sociais, nomeadamente o fim da comparticipação no Seguro de Complemento de Reforma e a eliminação do subsídio de deslocação».
A mobilização dos trabalhadores fez-se sentir no imediato, num plenário com uma participação que «há muitos anos não se via». Meses depois, as pretensões iniciais da administração (que terá reconhecido, durante o processo negocial, serem «brutas») foram derrotadas em toda a linha: para além de um aumento salarial de 57 euros mensais (quase 800 euros anuais) com retroactivos a Janeiro, a RTP recuou em todos os cortes nos benefícios sociais.
«Estes aumentos não resolvem todas as perdas acumuladas ao longo dos anos, mas repõem o respeito que o Serviço Público de Media e os seus profissionais exigem e merecem», referem os sindicatos (entre os quais o Sindicato dos Jornalistas (SJ), o Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT/CGTP-IN) ou o Sindicato dos Meios Audiovisuais (SMAV/UGT)). Quando os trabalhadores se unem pelos mesmos objectivos, a administração vê-se obrigada a recuar nos seus iniciais propósitos: a «determinação de todos os trabalhadores foi o factor decisivo para travar a desvalorização profissional».
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