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Alerta na Argentina para a «renúncia à soberania científica»

A Academia Nacional de Ciências Exactas, Físicas e Naturais denunciou a acção do governo de Milei, que «compromete o desenvolvimento económico, a saúde, a soberania tecnológica e a capacidade de inovação».

Argentina Ciência investigação despedimentos
Manifestantes em Bariloche exigiram a reintegração dos cientistas despedidos e sublinharam que vão defender o sistema científico-tecnológico nacional Créditos / TeleSur

Desde que o executivo de Javier Milei anunciou o despedimento de 62 trabalhadores da Comissão Nacional de Energia Atómica (CNEA), sucedem-se as recolhas de assinaturas, iniciativas simbólicas e mobilizações para repudiar a medida, que, segundo refere o Tiempo Argentino, se enquadra num «processo de desfinanciamento e esvaziamento que tem como contrapartida a promoção de empresas privadas no sector, adaptadas aos interesses dos EUA».

Em comunicado, a Academia Nacional de Ciências Exactas, Físicas e Naturais (ANCEFN) expressou profunda preocupação com os maus-tratos à ciência no país austral, afirmando que «a ciência e a tecnologia são políticas de Estado cuja continuidade transcende os governos. A deterioração das capacidades humanas e institucionais construídas ao longo de décadas põe em risco o desenvolvimento económico, a saúde, a soberania tecnológica e a capacidade de inovação do nosso país».

Além de se solidarizar com os trabalhadores despedidos no sector nuclear, a Academia manifestou o seu apoio aos pós-doutorandos do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), que enfrentam uma «situação crítica».

«Desmantelamento geral do sistema»

Os despedimentos de 62 trabalhadores na CNEA foram anunciados pelo governo argentino no passado dia 30 de Junho, um dia antes de os investigadores virem para as ruas de Buenos Aires protestar contra o despedimento anunciado de 379 cientistas.

No contexto do desmantelamento da CNEA, a ANCEFN denunciou que a não renovação dos contratos com dezenas de trabalhadores «evidencia, uma vez mais, a falta de valorização governamental do sector».

«A CNEA é uma das instituições mais prestigiadas da Argentina; o seu desenvolvimento nuclear colocou-nos num grupo internacional restrito, destacando-se não só na geração de energia, mas também nas suas aplicações para a saúde pública. O esvaziamento da CNEA, motivado pelos baixos salários, faz parte do desmantelamento geral do sistema», afirmou a Academia.

Abraço simbólico ao Centro Atómico de Bariloche

Esta segunda-feira, trabalhadores da CNEA cercaram o Centro Atómico de Bariloche, na província de Rio Negro, com um abraço simbólico – uma acção que serviu para exigir a reintegração dos 62 cientistas, investigadores e outros funcionários despedidos a nível nacional (20 dos quais laboravam ali).

Na iniciativa, que contou com o apoio de sindicatos, organizações sociais, associações de estudantes e institutos científicos, denunciou-se igualmente o desmantelamento do sistema por parte do executivo liderado por Javier Milei.

As estruturas sindicais alertaram que estes 62 trabalhadores foram despedidos na sequência do vencimento dos contratos que os ligava à instituição, estimando que o número de trabalhadores afectados possa chegar a 170, indica a TeleSur.

Em comunicado, os manifestantes declararam que vão continuar a lutar em defesa do sistema científico-tecnológico nacional e a dar visibilidade aos impactos negativos destas medidas no património estratégico do país austral.

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