Os membros bascos da flotilha chegaram no sábado ao aeroporto biscainho, depois de terem sido presos em alto mar por forças israelitas e terem sido maltratados durante o período de detenção. Em Loiu, a Ertzaintza carregou sobre eles de forma brutal e pelo menos quatro pessoas foram detidas, refere o portal naiz.eus.
Testemunhas disseram à fonte que a polícia basca carregou quando os activistas solidários com a Palestina se iam encontrar com quem os esperava, sem que tivessem oferecido qualquer resistência aos agentes.
Depois de os atirar ao chão, os agentes da Ertzaintza espancaram-nos repetidamente. Ao formalizar a sua detenção, a polícia ainda os acusou de «desobediência grave, resistência e atentado a agente da autoridade».
Com base nas imagens, que deram a volta ao mundo em poucas horas, a situação está a ser apontada como um «escândalo» por diversos portais e órgãos de imprensa.
Violência prosseguiu no centro de saúde
Testemunhas presenciais denunciaram ainda que a atitude violenta da Ertzaintza continuou para lá do aeroporto – tanto ao levar as pessoas detidas para as viaturas policiais como no centro de saúde de Deustu, para onde foi levada uma pessoa que seria depois internada no Hospital de Basurto.
Não menos virais se tornaram as imagens gravadas no centro de saúde, com o sindicato LAB a denunciar que os trabalhadores de turno não podiam tolerar «aqueles maus-tratos» no interior das instalações, tendo exigido responsabilidades. Entretanto, os Assuntos Internos da Ertzaintza anunciaram que deram início a uma investigação sobre a actuação dos agentes.
Bandeiras da Palestina não
Outras testemunhas presenciais sublinharam o facto de o destacamento policial em Loiu se ter intensificado quando o avião com os activistas aterrou, tendo-se registado um reforço de viaturas policiais e de efectivos com material de intervenção. Também afirmaram que os agentes se mostravam «obcecados com os telemóveis».
À entrada do centro de saúde de Deustu, membros do grupo de organizações que receberam os activistas da flotilha denunciaram a repressão sobre a solidariedade, tendo-se referido aos acontecimentos como «violência gratuita» por parte da Ertzaintza contra activistas «que foram raptados em águas internacionais e maltratados, que passaram por prisões sionistas».
«Chegaram-nos a dizer no aeroporto que, se mostrássemos bandeiras do Athletic, não havia problema, mas, se fossem bandeiras palestinianas, sim», denunciaram, acrescentando: «Se estivéssemos a gritar “Aupa Athletic”, não havia chatices, mas, como tínhamos bandeiras palestinianas e uma faixa a denunciar os sionistas e as colaborações que há aqui no País Basco, com muitas empresas que estão a encher os bolsos, então isso é um problema.»
EH Bildu denuncia cargas policiais
Numa nota, a coligação soberanista EH Bildu denunciou «com firmeza» as cargas policiais sobre os membros da flotilha, bem como sobre as pessoas que se tinham deslocado até ao aeroporto para as receber.
A coligação destacou «a violência contra uma flotilha que é um símbolo de solidariedade e de defesa dos direitos humanos», acrescentando que «é inaceitável espancar e prender pessoas raptadas por Israel logo após a sua chegada».
Neste sentido, anunciou que vai solicitar a comparência urgente do Conselheiro basco da Segurança, Bingen Zupiria.
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