Cepeda, com 9 673 390 de votos (40,91%), e Abelardo De la Espriella, com 10 338 440 (43,73%), foram de longe os candidatos à Presidência da Colômbia mais votados no acto eleitoral realizado este domingo.
Deste modo, será a dupla Iván Cepeda e Aida Quilcué, do Pacto Histórico, a medir forças na segunda volta, a 21 de Junho, com a proposta pelo partido Defensores de la Patria, Abelardo De la Espriella e José Manuel Restrepo. Nesse dia, saber-se-á se será Cepeda ou De la Espriella a suceder ao actual presidente, Gustavo Petro, e a assumir o mandato correspondente ao período constitucional 2026-2030.
Ao comentar os resultados desta primeira volta, o candidato progressista denunciou irregularidades graves no processo eleitoral, tendo destacado a existência de uma discrepância de 885 mil pessoas no recenseamento eleitoral, bem como indícios de votação atípica num número indeterminado de mesas de voto – situações que, refere a TeleSur, estão ser analisadas pelos mecanismos de segurança eleitoral.
Iván Cepeda referiu-se igualmente a alterações imprevistas de milhares de locais de voto horas antes das eleições, afirmando que tal constituiu uma manobra de supressão eleitoral que privou centenas de milhares de cidadãos do seu direito de voto em zonas populares.
Entretanto, o Pacto Histórico anunciou que não emitirá um pronunciamento definitivo sobre os resultados eleitorais até que as comissões eleitorais esclareçam publicamente, de forma rigorosa e clara, todas as inconsistências detectadas.
Ingerência externa
Cepeda condenou aquilo que classificou como ingerência aberta de governos estrangeiros e operadores subordinados à agenda geopolítica de Washington, tendo-se referido de forma directa à cumplicidade do ex-presidente equatoriano Lenín Moreno, das autoridades actuais do Equador e de sectores diplomáticos norte-americanos com o intuito de «desestabilizar» a votação progressista no Sul da Colômbia.
O candidato do Pacto Histórico denunciou ainda o facto de estruturas oligárquicas terem recorrido à calúnia, a montagens mediáticas e acções violentas em grandes cidades como Medellín para tentar travar o avanço das forças populares que não se submetem à tutela norte-americana.
Acompanhado pela candidata à vice-presidência do país, Aida Quilcué, Cepeda declarou que tudo fará para reunir as forças necessárias que permitam derrotar Abelardo De la Espriella na segunda volta.
Representante do «fascismo mafioso»
Sobre De la Espriella, o candidato progressista disse que se trata de um representante «fascismo mafioso», tendo elencado os seus antecedentes enquanto advogado de paramilitares, narcotraficantes e vigaristas.
Neste sentido, alertou um eventual mandato do seu adversário significaria a pulverização das conquistas alcançadas com o actual executivo, liderado por Petro, ao nível dos direitos dos trabalhadores, da reforma agrária, da educação e da saúde públicas, para favorecer a plutocracia, a corrupção e os círculos económicos «mais descompostos da sociedade».
Cepeda também destacou o perfil misógino e homofóbico de De la Espriella, bem como o seu desprezo pela natureza e os animais, e definiu o seu projecto como um regresso ao «passado parapolítico, narcotraficante e mafioso» dos governos de Álvaro Uribe, apoiado pela extrema-direita internacional.
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