A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) mais aguardada dos últimos anos na política brasileira será votada hoje, prevendo-se que seja aprovada. A PEC em questão, conhecida como «fim da 6x1», estabelece a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, assegura dois dias de descanso remunerado e impede cortes salariais. Se aprovada, a medida deverá beneficiar cerca de 14,8 milhões de brasileiros que trabalham neste regime, de acordo com o Ministério do Trabalho.
Depois da aprovação da proposta na Câmara dos Deputados, em 27 de Maio deste ano, o texto precisa agora de passar no Senado Federal com uma maioria de três quintos da casa (49 dos 81 senadores), em duas sessões que podem ser votadas ambas esta quarta-feira, a pedido da base de apoio ao governo. Num Senado de maioria de oposição à PEC, uma nova esperança de ver a medida aprovada veio da pressão popular, a mesma que forçou a aprovação pelos deputados.
A PEC, que surgiu de uma reivindicação popular, foi abraçada pela campanha de Lula da Silva à presidência do Brasil. Após a primeira volta das eleições, no passado dia 4 de Outubro, o candidato petista intimou o adversário Flávio Bolsonaro a orientar a sua bancada no Senado a votar em benefício popular.
Após reiterada oposição ao fim da 6x1, e na véspera da votação, Flávio Bolsonaro declarou-se finalmente a favor da PEC: «Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1.» De acordo com o portal Metrópoles, «a mudança de posicionamento é vista por membros do sector [empresarial] como um sinal de "desespero" diante da pressão popular». Porém, os empresários receberam a informação de que um eventual governo do Flávio defenderia mudanças posteriores no texto, avança a Folha de São Paulo a partir de conversas com aliados bolsonaristas.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui