A Guerra Civil Espanhola rebentara há menos de um mês quando Josep Sunyol i Garriga, presidente do Futbol Club Barcelona e deputado no parlamento espanhol pela Esquerda Republicana da Catalunha, foi capturado por uma milícia falangista (o movimento paramilitar fascista de apoio a Francisco Franco) e executado sumariamente no dia 6 de Agosto de 1936, na Serra da Guadarrama (Madrid), quando levava a cabo uma missão de contacto com as tropas republicanas.
Acompanhavam-no um motorista, um tenente do exército republicano e o antigo futebolista (do Espanyol) e jornalista Pere Ventura i Virgili, todos igualmente fuzilados pelas tropas fascistas. Virgili trabalhava para o jornal desportivo catalão fundado por Sunyol em 1930, o La Rambla.
Apesar dos esforços levados a cabo ao longo de décadas, os corpos destes quatro homens nunca foram encontrados. Um estudo feito pelo Governo espanhol em 2019 estima que ainda existam mais de 11 mil vítimas do fascismo por identificar em valas comuns espalhadas pelo país.
Nascido em 1898, Josep Sunyol desde muito cedo consagra a sua vida ao associativismo desportivo, indissociável da sua intervenção e acção política republicana e catalã. Com apenas 27 anos, assume pela primeira vez o cargo de presidente do Futbol Club Barcelona, na sequência da demissão forçada (e exílio) de Joan Gamper pela ditadura de Primo de Rivera. Em 1928 continua a exercer cargos de direcção no clube, presidindo também à Federação Catalã de Futebol entre 1929 e 1930. Entre 1933 e 34, preside ao Reial Automòbil Club de Catalunya.
Sunyol é reeleito presidente do Futbol Club Barcelona em 1935, por aclamação dos sócios, período em que o clube conquista a Liga da Catalunha. Apesar do seu assassinato em 1936, o clube reconhece-o como presidente ausente até 1939, em memória da sua vida: o presidente mártir.
Não foi caso único, Antonio Ortega Gutierrez, presidente do Madrid Foot-Ball Club (nome do Real Madrid durante a república espanhola) entre 1937 e 1939 e militante do Partido Comunista de Espanha (PCE), participou activamente na defesa militar de Madrid até ao final da Guerra Civil, sendo posteriormente fuzilado em Alicante, a 15 de Julho de 1939, aos 51 anos. Vários outros dirigentes do Real Madrid nesse período foram também assassinados pelo fascismo.
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