Farhan Haq, porta-voz adjunto da ONU, disse aos jornalistas esta segunda-feira que Guterres tem sérias preocupações sobre o anúncio recente das autoridades israelitas de que estão a acelerar o processo de legalização dos postos avançados agrícolas e de criação de novos postos na Cisjordânia ocupada.
Haq afirmou que o secretário-geral da ONU encara a criação de todos os colonatos, incluindo os postos avançados, como uma «violação flagrante do direito internacional» que carece de validade jurídica.
O porta-voz disse ainda que as recentes actividades israelitas na Cisjordânia ocupada representam um «grande obstáculo» para alcançar uma «paz duradoura» na Palestina, de acordo com a chamada «solução de dois Estados» aprovada pela ONU.
Oito novos postos avançados em quatro dias e escalada de violência
Colonos israelitas construíram oito novos postos avançados na Margem Ocidental ocupada desde que colonos e forças de ocupação mataram quatro palestinianos num ataque à aldeia de Tell, nas imediações de Nablus, na passada sexta-feira, revela a Al Mayadeen com base na imprensa israelita.
Esta agressão ocorre no contexto do aumento generalizado de ataques por parte de colonos israelitas na Cisjordânia ocupada, com as organizações de defesa dos direitos humanos palestinianas, israelitas e outras a documentarem repetidamente casos em que a ocupação não só ignora a violência dos colonos, como participa directamente nela.
De acordo com dados divulgados este mês pela Comissão palestiniana de Resistência ao Muro e à Colonização, só no primeiro semestre deste ano os colonos levaram a cabo 3488 ataques contra os palestinianos e as suas propriedades.
Ataques israelitas na Cisjordânia aumentaram desde Outubro de 2023
Nas agressões contra os palestinianos incluem-se assassinatos, detenções arbitrárias, demolições de casas, incêndio de mesquitas, destruição de terras agrícolas, deslocação forçada e contínua expansão dos colonatos.
Os ataques às comunidades palestinianas na Cisjordânia ocupada, perpetrados por colonos e tropas israelitas, intensificaram-se desde Outubro de 2023, com o início da ofensiva genocida contra a Faixa de Gaza, no âmbito da qual pelo menos 73 329 palestinianos foram mortos e mais de 174 mil ficaram feridos.
A presença de Israel na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, é considerada uma ocupação pelas Nações Unidas, que tem condenado repetidamente a expansão dos colonatos e dos postos avançados no território.
Estima-se que nas centenas de colonatos e postos avançados existentes em toda a Cisjordânia ocupada – ambos considerados ilegais à luz do direito internacional – residam cerca de 750 mil colonos.
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