O novo sistema de bilhética na Horários do Funchal, empresa portuguesa de autocarros para o transporte urbano que opera na capital do arquipélago da Madeira, tem dado que falar e os motivos não são os melhores. Em causa está um aumento dos preços feito de forma encapotada.
Acontece que anteriormente era possível pré-adquirir um bilhete de bordo de forma mais barata, mas esta modalidade de pagamento foi extinta e agora só é possível comprar um título de transporte a bordo dos autocarros. Esta podia ser uma mudança sem importância, se não se tivesse materializado num aumento directo.
O denominado «bilhete de bordo pré-comprado» era consideravelmente mais barato que o título de transporte comprado a bordo. Ou seja, os utentes passaram a ser obrigados a comprar um bilhete mais caro por conta da extinção de uma alternativa mais em conta, o que pesa no bolso de qualquer um.
Para se ter uma ideia, em algumas zonas rurais, onde os bilhetes custavam, por exemplo 1,30 euros, os mesmos subiram para 1,95 euros, valor que passou a ser de referência para o bilhete municipal. Já o bilhete intermunicipal passou a ter um custo de 2,60 euros. Em média, esta alteração na bilhética, representou um aumento de 44%.
A política de transportes tem sido um dos principais temas de campanha, na medida em que um dos problemas mais sentidos é o aumento do tráfego automóvel na Madeira. De acordo com a Direcção Regional de Estatística o tráfego de veículos na Via Rápida entre a Ribeira Brava e Machico, na costa sul da Madeira, aumentou 5,4% em 2024, com 37.700 veículos a circular em média por dia.
Uma deficiente rede de transportes públicos e o encarecimento dos títulos de transportes parecem estar directamente relacionados com o aumento do tráfego automóvel, mas ao seu estilo, Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, ignora completamente o problema, optando por vender uma realidade alternativa.
Ainda esta semana, numa visita à empresa Siltos Funchal, o candidato do PSD/Madeira considerou que o «aumento de carros tem a ver com a melhoria das condições das famílias», desprezando por completo a realidade socio-económica da região, como também a rede de transportes que não serve os madeirenses.
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