20h08 - Manuel Castro Almeida encerra o debate
Coube ao ministro da Economia e da Coesão Territorial encerrar o debate em representação do Governo. Castro Almeida começou por contextualizar Portugal no mundo, alegando que a situação internacional nunca foi tão complexa. Esta caracterização serviu como gancho para enaltecer o suposto bom desempenho económico português que, segundo o mesmo, continua a crescer e a atrair investimento.
Na senda do que foi a narrativa do Governo e dos partidos que o suportam, Castro Almeida voltou a insistir na tese do aumento real do salário médio nacional, apenas de mais de um milhão de trabalhadores recebem menos de mil euros por mês.
«Não estamos agarrados ao poder, estamos vinculados a um projecto de transformação», disse o ministro da Economia, que garantiu que o Governo está a exercer o poder em nome de um projecto renovador. Para si, isso é visível na imigração que, segundo o mesmo, foi um tema tratado com humanismo.
No âmbito da inovação, Castro Almeida recorreu ao TGV como exemplo das medidas do Governo, mesmo apesar de a iniciativa ainda não ter saído do papel.
Mais uma vez, na linha da narrativa do seu Governo, o ministro precisou de atacar o ex-governo PS e, em resposta ao Chega, disse que o Governo não quer eleições antecipadas em nome da estabilidade.
O discurso de Castro Almeida foi totalmente desligado da realidade concreta que os trabalhadores vivem.
19h55 - Mariana Leitão quis desmentir o debate, mas saiu-lhe mal
A Iniciativa Liberal demorou cerca de duas horas para desmentir o primeiro-ministro relativamente aos números dos investimentos. A par desta questão, a líder do liberais recorreu ainda aos argumentos dos partidos a favor da regionalização para criticar as nomeações nas CCDR. Importa lembrar, neste último tema, que aquando do projecto do PCP sobre a regionalização, os liberais ignoraram todas esta problemática das CCDR.
19h40 - PS quis encerrar o debate antes do Governo
Coube a Henrique Brilhante Dias voltar a desferir ataques a Fernando Alexandre, ministro da Educação, e todas as suas contradições. A intervenção faria sentido se o próprio ministro não fosse amanhã ao Parlamento, no entanto, ao longo do debate ficou evidente que o Governo está cada vez mais descredibilizado e Fernando Alexandre, fruto da actualidade política, é encarado como elo mais fraco. O líder da bancada parlamentar do PS pediu a demissão do ministro, como se tal fosse alterar estruturalmente as opções políticas do Executivo.
Nesta intervenção, Brilhante Dias recorreu a Cavaco Silva para atacar a «incompetência» do Governo que, segundo o «socialista» escuda-se em desculpas para justificar o seu falhanço.
19h33 - Parlamento foi palco de uma guerra por causa das sondagens
Na sequência da intervenção de André Ventura, o PSD fez-lhe cinco pedidos de esclarecimentos. A acção coordenada da bancada «social-democrata» pareceu mais uma resposta às sondagens que colocam o Chega em segundo lugar, à frente da AD. Neste momento, o estado da nação já pouco importa para ambas as bancadas, que procuram apenas tirar dividendos eleitorais.
19h18 - Chega insiste na contradição: tanto é aliado do Governo como o critica para proveito próprio
No final do debate, até porque na sua primeira intervenção André Ventura passou completamente ao lado do debate propositadamente, o líder do Chega quis correr atrás do prejuízo e criticar o Governo.
André Ventura, o mesmo que já salvou o Governo inúmeras vezes, desafiou Luís Montenegro a apresentar uma moção de confiança. O Chega, como André Ventura deu a entender, começa a ter em conta as sondagens e, sem críticas de fundo à actuação do Governo, direccionou o seu discurso no sentido de alimentar estudos de opinião.
19h12 - Jorge Pinto foi ler as conclusões do congresso do Livre
Num das últimas intervenções do dia, Jorge Pinto, o novo co-porta-voz do Livre, foi ler as propostas do partido realizadas no congresso do passado fim-de-semana e acabou a oferecer ajuda ao Governo. Rede pública de lares e cheque de 5000 euros aos jovens foram algumas das propostas elencadas.
19h09 - Rita Matias criticou o Governo, mas terminou a dizer que o Executivo copiou o programa do Chega
Numa troca de galhardetes com uma deputada do PSD sobre medidas direccionadas para os jovens, Rita Matias, depois de acusar o Governo de nada fazer relativamente à juventude, acaba a sua intervenção a dizer que a AD copiou o programa do Chega. Ou seja, o Chega nada fez quanto à juventude também.
19h01 - IL afia as facas para atacar a Segurança Social
Segundo Jorge Teixeira, da Iniciativa Liberal, o país tem um grave problema na sustentabilidade da Segurança Social. O deputado da IL avançou com a futura batalha da IL: a privatização da Segurança Social. Sabe-se que os fundos de investimento estão sedentos por meter as mãos ao dinheiro dos contribuintes e a IL não faltou à chamada.
18h58 - CDS-PP chumbou a Economia
Pelo CDS-PP, João Almeida afirmou que o indicador de sucesso são os salários e como esses foram aumentados a vida das pessoas está melhor. João Almeida disse ainda que houve um desagravamento fiscal e que isso, articulado com o aumento dos rendimentos, contribuiu para a elevação do patamar de vida.
Quando está tudo mais caro e quando tudo anulou o aumento mínimo dos salários, João Almeida parece ter faltado às aulas de economia.
18h55 - Livre saiu, finalmente, da Educação
Através de Paulo Muacho, depois de horas de debate, fez questões relativamente à área da Saúde. O deputado do Livre considerou que o Governo «está a falhar em toda a linha» e acusou o Executivo de fazer «um plano de Saúde nas costas» dos utentes.
18h53 - PSD diz que não tem que responder pelo Governo
Confrontado pelo anúncio do porta-voz do Governo sobre o pagamento das horas extraordinárias, o deputado «social-democrata» diz que não é o partido que tem que responder. A resposta é caricata, porque foi o PSD a fazer o anúncio na sua sede.
18h49 - PSD com dois pedidos de esclarecimento
Ainda com tempo, o PS questionou o deputado do PSD sobre os vários problemas nos diferentes sectores da governação. Também o Bloco de Esquerda, com o tempo cedido pelo PS, questionou o PSD sobre o anúncio de Sebastião Bugalho sobre o pagamento das horas extraordinárias aos professores.
18h41 - PSD insistiu fábula criada numa redoma
O PSD veio a jogo tentar combater a demagogia, alegando que o país e a economia estão melhores. O deputado do PSD afirmou que a política do Governo resultou em «mais e melhores salários».
«Aumentámos pensões», garante o PSD que, procurando dar a entender que as famílias vivem hoje melhor, optou por não falar do aumento do preço do cabaz alimentar, por exemplo, que anulou qualquer aumento de rendimentos.
Sobre a Habitação, o PSD insiste na isenção do IMT e imposto de selo, uma medida direccionada para os jovens com mais altos rendimentos que compram casas.
No fim da sua intervenção, o deputado do PSD acenou com o cumprimento dos 2% do PIB na defesa como garantia de prestigio internacional. Enquanto o PSD acena com esta bandeira, a Cultura, por exemplo, continua a valer menos de 1% do Orçamento do Estado.
18h38 - Os exames voltam ao debate através do Livre
Pela voz de Filipa Pinto, o Livre voltou a recentrar o debate no tema dos Exames Nacionais. Se o pretexto foi a «reforma do Estado», o Livre apresentou-se ao debate como um partido monotemático, fazendo parecer que todos os problemas do país residem no Ministério da Educação.
18h32 - «O Governo ignorou o país real», acusa o PCP
Passando as questões ao Governo, passámos à fase das intervenções. O pontapé de saída foi dado por Paula Santos do PCP.
A deputada comunista acusou o Governo de estar afastado do país real, atacando os mais pobres, ignorar as zonas afectadas pela tempestade, o resultado de um Governo cada vez mais desgastado. A comunista não se retraiu e acusou o Executivo de Governar em prol de uma elite.
Recordando a derrota do pacote laboral, Paula Santos garantiu que será a luta o factor determinante a derrotar a actual política e a colocar o país no sentido de um política alternativa, uma política que elimine as normas gravosas da legislação laboral, que invista nos serviços públicos. que valorize a Escola Pública e o SNS, que garanta o direito à habitação, que defenda a soberania alimentar e energética, e trilhe o caminho da paz.
«Com o PCP, com a força dos trabalhadores e do povo, é possível», disse.
18h22 - Da bancada do Chega não vem uma única ideia
Embora não seja inédito, o debate do Estado da Nação ajuda a comprovar que do Chega não há capacidade de proposta e intervenção. Cada deputado que tem a palavra na bancada da extrema-direita demonstra o completo vazio de quadros e de ideias. Neste momento, com um ar triunfal, uma deputada do Chega disse: «A verdade liberta e um tanque nunca será piscinas».
18h13 - O estado da nação foi esquecido nesta fase
Sem tempo para responder, o primeiro-ministro ouve, de forma pouco interessada, os deputados do Chega e do PS. Intervenção a intervenção, os deputados vão repetindo jargões e em intervenções repletas de soundbytes desenhadas para as redes sociais, mas que pouco ou nada interessam ao povo e aos trabalhadores.
18h08 - A líder da JS criticou «experimentalismo» do Governo
Sofia Matos quis criticar a política habitacional do Governo não referindo que o PS também se recusou a combater a especulação imobiliária e a fixar rendas. Num discurso carregado de sentimento, a deputada acusa o Governo de ter uma política recheada de «erros».
18h04 - IL quis falar do… American Club
Por Rodrigo Saraiva, a intervenção mais bizarra pertenceu à IL, que quis defender um debate realizado pelo American Club sobre prisões arbitrárias na China, que foi alvo uma suposta interferência diplomática chinesa.
18h01 - PS traz a debate o pacote laboral
No seu único trunfo neste debate, através de Miguel Cabrita, relembrou o falhanço do pacote laboral e questionou se o Governo voltará à carga com alterações ao Código do Trabalho. Sobre a PSU, talvez não se lembrando que o PS viabilizou a proposta do Governo, o deputado «socialista» só demonstrou incómodo pelo facto de Palma Ramalho ter dito que o Chega era o parceiro preferencial.
17h59 - Chega num ataque encapotado ao SNS
Marta Silva do Chega enumerou os vários problemas do SNS. Importa relembrar que o Chega, numa das suas propostas de revisão constitucional, já quis acabar com o SNS.
17h54 - Mariana Vieira da Silva acusa o Governo de caos e desnorte
Numa intervenção bastante superior à realizada por José Luís Carneiro, Mariana Vieira da SIlva acusou o Governo de inventar indicadores estatísticos. A deputada do PS acusou o Governo de um profundo falhanço na reforma do SNS.
17h52 - Chega deixa claro que é aliado do Governo
Pedro Pinto do Chega elencou as muitas e várias propostas do PSD que a extrema-direita apoiou e viabilizou nos últimos dois anos na Assembleia da República.
17h51 - Começa a segunda fase do debate
Começa agora a segunda fase do debate, porém o primeiro-ministro não tem tempo para responder às questões colocadas.
17h50 - Montenegro diz que não ignora regiões autónomas
Luís Montenegro garante que o que colocou na sua intervenção inicial se aplica às regiões autónomas.
17h45 - Para o JPP o estado da nação mede-se pelo estado do país
O deputado do JPP quis esclarecer que o estado da nação não se mede pelo estado do Governo, mas sim do país. Ao longo da sua intervenção, o deputado único do JPP acusou o Governo de ignorar as regiões autónomas e de vender um país que não existe.
17h42 - A resposta cordial ao PAN
Em resposta à deputada única do PAN, sobre a violência doméstica, o primeiro-ministro invocou uma suposta obra feita e ignorou as restantes questões.
17h38 - PAN aborda as catástrofes e o abandono de animais
Inês Sousa Real acusa o Governo de utilizar a imigração para justificar todos os problemas e questionou o Governo sobre o combate à violência doméstica. Sobre o programa Água que Une, a deputada única acusou o Executivo de ser uma estratégia com falhas e exigiu uma reforma florestal para acabar.
17h33 - Luís Montenegro recorre à deselegância
Numa total falta de nível, o primeiro-ministro atacou o Bloco de Esquerda pela redução do seu grupo parlamentar, aproveitando o momento para desferir o mesmo ataque ao PCP.
«Não estou interessado nos seus conselhos», porque o «despejo mais significativo que tenho assistido é dos lugares de deputado do Bloco de Esquerda», disse o primeiro-ministro, que num debate sobre o Estado da Nação deixou de lado o sentido de Estado.
Sobre os problemas da Escola Pública, disse que estes foram herdados e que o país está entre os países mais desenvolvidos da Europa.
17h29 - Bloco de Esquerda opta por começar a atacar o Governo pelas polémicas
Numa intervenção assente nas mais recentes polémicas, como a ida do primeiro-ministro ao Mundial e ao NOS Alive, Fabian Figueiredo usou o parco tempo a que tem direito na qualidade de deputado único para cavalgar a espuma dos dias para atacar o Governo.
Apesar deste elemento, o deputado único bloquista questionou quando é que o ministro da Educação é demitido, acusou a ministra da Saúde de entregar o SNS nos braços dos grandes grupos económicos e questionou onde é que está a tributação sobre os lucros milionários. Para terminar, o deputado acusou o Governo de facilitar os despejos e de querer ressuscitar o pacote laboral.
17h23 - Montenegro defende a existência de uma convergência estratégica entre o PS e o Chega
Passados tantos meses de governação, Luís Montenegro parece ainda não ter compreendido que governa em maioria relativa. Voltando à velha tese de que a oposição impediu o aumento das propinas, o primeiro-ministro diz que há um bloqueio que impede que o Governo governe.
Sobre a imigração, o chefe do Governo diz que os imigrantes estão a agradecer ao Executivo o que este está a fazer. Mais uma vez, Luís Montenegro diz que estão nos imigrantes a origem dos problemas da Escola Pública e do SNS.
17h19 - Para o CDS-PP, o problema do país é a imigração
Sem surpreender ninguém, Paulo Núncio teve uma intervenção digna do Chega. Culpando exclusivamente a imigração pela falência das políticas do Governo, o foco principal do CDS-PP foi o PS, que acusa de coordenar medidas «despesistas» com a extrema-direita, que terão custado mil milhão de euros, e que poderiam, defende Paulo Núncio, ter sido usadas para baixar os impostos das famílias, tentando assim justificar a inacção do executivo PSD/CDS-PP.
17h15 - Para Luís Montenegro, o país não está pior
Em resposta a Paulo Raimundo, Luís Montenegro diz que tem uma visão contrária à do PCP e considera que o país está melhor. Para o justificar, o primeiro-ministro apresentou o valor do Salário Mínimo Nacional como métrica de sucesso.
A intervenção do primeiro-ministro comprava as acusações do PCP de o Governo viver numa ilusão.
17h09 - «O senhor primeiro-ministro vive na ilusão»
Pelo PCP, teve a palavra o seu secretário-geral, Paulo Raimundo, que começou por acusar o Governo de estar desesperado. Num discurso que procurou denunciar a política de empobrecimento e de benefício dos grande grupos económicos, submetendo o país às ordens de Bruxelas e aos interesses da guerra.
Raimundo vincou que o país precisa de melhores salários, precisa que os apoios cheguem aos que foram afectados pelas tempestades e de uma política soberana. O comunista denunciou de seguida todos os impactos da chamada «reforma do Estado» visível na Escola Pública, na Habitação, no sector Financeiro e no SNS e na destruição da Segurança Social.
«Da nossa parte teve, tem e terá todo o combate possível», garantiu o secretário-geral do PCP, garantindo que «há esperança» na luta organizada dos trabalhadores que impôs uma derrota ao pacote laboral e que vai abrir «o caminho que se impõe ao país».
17h03 - «Não há nenhum caos nos exames em Portugal», diz Luís Montenegro
Ignorando uma parte das questões levantadas, Luís Montenegro agarrou o tema da revisão constitucional. Acusando Inês Mendes Lopes de arrogância e de extremismo, Luís Montenegro demonstrou vontade de avançar no processo de revisão a Constituição
«Não há nenhum caos nos exames em Portugal», disse o primeiro-ministro, numa postura que demonstra bem a forma como o Governo ignora a realidade e cria narrativas alternativas para os problemas concretos. O primeiro-ministro disse ainda que a «esmagadora maioria» dos docentes acompanha o processo imposto pelo Governo.
16h58 - No Estado da Nação, o Livre foca-se nos Exames Nacionais
A co-porta-voz do Livre começou a sua intervenção a falar dos Exames Nacionais, como se o ministro da Educação não fosse amanhã ao Parlamento dar explicações sobre o assunto, por requerimento do PCP.
Isabel Mendes Lopes quis atacar a incapacidade da reforma do Estado e não a reforma do Estado, e para isso falou do PTRR. Sobre a Habitação, o Livre denunciou a política de despejos levada a cabo pelo Governo, oferecendo como solução as cooperativas habitacionais.
Para terminar, o Livre voltou à carga com a revisão constitucional. A intervenção da co-porta-voz do Livre foi apenas uma súmula do congresso do seu partido.
16h51 - Montenegro tenta dar uma lição a Mariana Leitão
Depois de ouvir as críticas de Mariana Leitão, Luís Montenegro quis dar uma lição à liberal dizendo que esta não valoriza o país. O primeiro-ministro diz que o país nunca captou tanto investimento e que para tal é necessário valorizar Portugal.
Luís Montenegro acaba por dizer que está disponível para discutir reformismo com a IL. Quem ouve Luís Montenegro questiona-se sobre qual foi a necessidade de forçar um pacote laboral se os empresários estão satisfeitos com a governação.
16h45 - Para a IL o Governo devia destruir completamente o Estado
Pela Iniciativa Liberal, Mariana Leitão insistiu na tese do Governo pouco reformista. Sem apresentar ideias, mas tentando fazer um retrato do país, apelou a «menos Estado» na economia.
Para criticar a política reformista do Governo, Mariana Leitão criticou a redução do IRC que, de acordo a liberal, ainda não é suficiente. Este foi o espelho das críticas ao Governo, com Mariana Leitão a dizer que é «agora ou nunca» o momento de destruir as funções sociais do Estado.
16h41 - Montenegro também invoca os ex-governos do PS
Com a maior facilidade em desmontar a argumentação do PS, o primeiro-ministro diz que José Luís Carneiro ou critica os problemas resultantes do ex-governo do PS, ou valoriza a suposta obra feita. Neste campo, Luís Montenegro aproveita o momento para acusar o PS de ter deixado o a país à beira do colapso.
A narrativa veiculada surge porque José Luís Carneiro tem dificuldades em atacar o Governo sem abordar o passado. Luís Montenegro, num tom irónico, perguntou ao secretário-geral do PS se os problemas da Administração Interna também são problemas do anterior ministro, uma vez que foi o próprio José Luís Carneiro.
A resposta ao líder do PS acabou com o primeiro-ministro a insistir na tese da perturbação por parte dos professores para o insucesso nos Exames Nacionais.
16h36 - PS acusa o Governo de ter piorado a nação
Sem nunca mencionar o facto de o PS ter sido, em tudo, aliado daquilo que foi realmente estrutural nas opções do Governo, à excepção do pacote laboral, José Luís Carneiro teceu duras críticas ao Executivo.
Apesar das críticas, o secretário-geral do PS, assim como André Ventura, puxou pela ida do primeiro-ministro ao Mundial e a um festival de música. Sobre os problemas do país, José Luís Carneiro mencionou de passagem o aumento das rendas e das listas de espera nos hospitais.
Na senda do que têm sido as suas intervenções em debates quinzenais, ainda preso aos ex-governos, o «socialista» quis frisar que a obra feita pelo actual Governo foi resultado da governação do PS.
16h30 - Montenegro tenta dar uma lição de moral
Na sequência da intervenção de Hugo Soares, Luís Montenegro quis desmontar as supostas tácticas dos outros governos, de tentarem criar uma narrativa com elementos laterais como as redes sociais. «Oposições dizem que somos insensíveis», disse o chefe do Executivo, que culpou esta semana os professores sobre o caos criado pelas opções do seu Governo.
«A actualização de 13 euros da propina é instrumento que introduz maior justiça», defendeu o primeiro-ministro.
16h24 - Hugo Soares usa a palavra para elevar o Governo
No seu papel de líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares quis usar a sua intervenção para explicar para que serve o debate do Estado da Nação, atacando o PS e elogiando a acção governativa do Governo. «Contra factos, contra números, contra evidências, nem o populismo, nem a demagogia tem argumentos», disse Hugo Soares que recorre a todos esses elementos.
Por mais anedótico que pareça, depois de ter acusado os outros de recorrerem a polémicas para atacar o Governo, fez exactamente o mesmo jogo que o Chega. De seguida, o líder da bancada «social-democrata», de forma a atacar o partido liderado por José Luís Carneiro, num debate do Estado da Nação, recorreu a uma publicação nas redes sociais do PS realizada hoje.
16h21 - Começam as interpelações à mesa
André Ventura interpelou a mesa para, de novo, esvaziar o debate com polémicas criadas para as redes sociais. Luís Montenegro fez o mesmo.
16h15 - Luís Montenegro alinhou com André Ventura
Depois do grande favor que André Ventura lhe fez, Luís Montenegro teve todo o espaço para dissertar sobre o vazio completo que representou a intervenção do líder do Chega. O discurso de André Ventura permitiu que o primeiro-ministro parecesse preocupado com a qualidade do debate e com os destinos do país, acusando o presidente do partido de extrema-direita de funcionar mediante as manchetes dos jornais.
Sobre se mantém a confiança no ministro da Administração Interna, Luís Montenegro diz que mantém no MAI e em todos os ministros e secretários de estado e alimentou a polémica criada pelo Chega de supostas ameaças. Sobre os Exames Nacionais, o primeiro-ministro reconheceu que não correu tudo bem, mas que no futuro correrá melhor. O estado da nação foi relegado para segundo plano.
16h05 - André Ventura puxa pela espuma dos dias
Pelo Chega, André Ventura teve a palavra para ajudar o Governo a desviar as atenções daquilo que urge discutir. Numa intervenção de cinco minutos, André Ventura quis discutir a quantidade de vezes que Luís Montenegro foi ver o Mundial de Futebol da FIFA. André Ventura, que na altura dos incêndios foi para as áreas ardidas gravar vídeos para o tiktok, acusou o primeiro-ministro de não estar no país durante os incêndios.
Como não podia escapar, também os Exames Nacionais foram objecto da retórica de André Ventura. Num debate para discutir o Estado da Nação, o líder da extrema-direita foi também buscar as polémicas em torno de Luís Neves.
Com o discurso de André Ventura ficou provado que o Governo pode sempre contar com o Chega para desviar as atenções. Sobre as dificuldades das famílias, André Ventura nada disse.
15h30 - Arranca o debate com a intervenção do primeiro-ministro
Luís Montenegro começou o discurso de abertura a fazer um balanço da acção governativa. Dado o forte insucesso e impopularidade do Governo, o primeiro-ministro optou por desferir ataques ao PS e às restantes bancadas da esquerda. «O país está a mudar e não quer voltar ao que era antes» e não quer «estar capturado por agendas ideológicas», vinca Luís Montenegro.
O primeiro-ministro diz que encontrou um país com os serviços públicos subfinanciados e uma crise social. Como não podia deixar de ser, na senda da utilização que tem feito da agenda da extrema-direita, o chefe do Executivo quis também instrumentalizar a suposta «imigração descontrolada».
O início da intervenção do primeiro-ministro espelha, no entanto, o modelo de actuação do Governo. Luís Montenegro escuda-se na imigração para o colapso das funções sociais do Estado, nomeadamente do SNS, Escola Pública e Habitação. Se já se sabia que a imigração era o bode expiatório do Governo, Luís Montenegro deixou-o claro no seu discurso.
Mantendo a linha de ataque ao PS, Luís Montenegro acusa o partido liderado por José Luís Carneiro de estar a realizar uma «coligação negativa com o Chega». Num argumento de espantalho, o primeiro-ministro culpa a correlação de forças por não o deixar governar, numa «táctica socrática» de estabelecer uma narrativa. Estamos em 2026 e Luís Montenegro, à moda da extrema-direita, precisou de trazer José Sócrates a debate.
Para justificar o sucesso da sua governação, o primeiro-ministro meteu em cima da mesa um conjunto de medidas pontuais e nada estruturais para puxar alguns aplausos das bancadas que sustentam o seu Governo. Num debate do Estado da Nação, Luís Montenegro veio ao Parlamento com um discurso esvaziado de conteúdo.
«Em matéria de sensibilidade social, os resultados já foram praticados», disse Luís Montenegro depois de invocar parcas medidas que nada mudaram a vida dos mais desfavorecidos.
Na recta final do seu discurso, Luís Montenegro destacou os alegados resultados económicos do país, com a consagração do aumento do rating de Portugal. Neste momento, o líder do Executivo demonstrou bem o desfasamento da realidade que conduz o Governo. «É por isso que estamos a transformar Portugal. Estamos a transformar Portugal para reduzir a carga fiscal das famílias e das empresas», disse Luís Montenegro, sem mencionar que a política fiscal do Executivo assenta, isso sim, nas borlas fiscais aos grande grupos económicos.
Como não podia deixar de ser, Luís Montenegro teve a arrogância para falar do aumento dos rendimentos das famílias, destacando o aumento do salário mínimo, num contexto de aumento do custo de vida.
No seu discurso, Luís Montenegro parece estar a responder à sua oposição interna, procurando dar ênfase a uma suposta agenda reformista que está em marcha, sendo que uma parte das medidas foram apenas anunciadas e não saíram do papel.
Como forma de evitar críticas futuras das bancadas à esquerda, ignorando a realidade, Luís Montenegro tenta vender a ideia de reforço dos serviços públicos e funções sociais do Estado. Neste campo, afirma que o Governo reforçou o SNS e a Escola Pública, nomeadamente a carreira de docente. O mesmo se aplica no caso da Habitação, com o primeiro-ministro a invocar medidas que em momento algum travaram a especulação do sector.
«Muitos falam em reformas, mas poucos têm coragem em transformar», disse Luís Montenegro para abordar, ao de leve, o chumbo do pacote laboral, a maior derrota do actual Governo PSD/CDS-PP.
O coroar da falta de noção do real estado do país, Luís Montenegro invocou o PTRR, um programa que já tinha caído no esquecimento. Já sobre os impactos resultantes da «crise no Médio Oriente», Luís Montenegro elencou o conjunto de medidas paliativas como o subsídio da botija de gás que nunca travaram a especulação e o aumento do custo de vida.
Foi esta, de resto, a ponte que ligou à política externa e à actuação do Governo: «sabemos bem os nossos aliados», disse o primeiro-ministro de forma a que, de forma subtil, fosse enaltecido o seguidismo do Executivo ante a agenda dos EUA.
15h20 - Início do acompanhamento
Boa tarde!
Dentro de momentos irá começar o debate do Estado da Nação. Espera-se um debate bastante intenso, sendo que da parte da direita antecipa-se a instrumentalização dos mais recentes problemas no Governo para tentar contornar um debate sobre o país e a acção governativa. Diversos órgãos de comunicação estão também a focar no problema dos Exames Nacionais e nas polémicas em torno do ministro da Administração Interna.
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