|Galiza

Galiza: Mercadona condenada por violação de direitos fundamentais

Uma trabalhadora despedida pela Mercadona em Carballo vai ser reintegrada por decisão judicial. Noutras duas sentenças recentes, foi reconhecida «violação da liberdade sindical» em lojas de Ourense.

Imagem de arquivo Créditos / CIG

Um tribunal da Corunha considerou improcedente o despedimento de uma trabalhadora da Mercadona de Carballo, considerando que a decisão da empresa se afigura como uma «discriminação por motivo de doença».

A sentença condena a empresa de distribuição alimentar a reintegrar a trabalhadora nas mesmas condições que tinha e a pagar-lhe os salários que deixou de receber entretanto, bem como a pagar-lhe uma indemnização por «danos e prejuízos causados ​​pela violação dos seus direitos fundamentais», revela a Confederação Intersindical Galega (CIG) no seu portal.

Ao tomar conhecimento da decisão judicial, a secção sindical da CIG na província da Corunha agendou uma concentração frente à loja da Mercadona em Carballo para 10 de Março, entre as 12h e 13h, coincidindo com o regresso da trabalhadora às suas funções.

Desta forma, a CIG pretende expressar-lhe solidariedade e denunciar «a perseguição e discriminação da empresa contra pessoas que estão doentes e que reivindicam os seus direitos».

Durante o julgamento – revela a CIG –, ficou provado que a Mercadona utiliza formulários que passa aos encarregados de loja para recolher determinadas informações sobre os trabalhadores que se encontram em situação de baixa médica prolongada, incluindo perspectivas de reintegração.

A recolha desta informação pode «violar determinados direitos fundamentais à privacidade e à saúde, e o direito à protecção de dados», de acordo com a sentença, que chama a atenção para os direitos fundamentais «à integridade física» e «à privacidade pessoal».

Violação da liberdade sindical

A esta decisão judicial, juntam-se outras duas, nas últimas semanas, relativas à violação da liberdade sindical de dois trabalhadores em lojas da Mercadona em Ourense.

Em ambas, é reconhecido o direito dos trabalhadores a receber o prémio anual que lhes «foi retirado injustamente», sendo a empresa condenada a pagar-lhes aquilo que deixaram de receber e a indemnizá-los por danos morais; além disso, exorta-se a Mercadona a pôr termo ao seu comportamento anti-sindical contra a CIG.

A empresa é «reincidente» neste comportamento de perseguição à CIG, já que – indica a confederação – um dos trabalhadores afectados havia sido readmitido o ano passado depois de ter sido despedido, «precisamente porque a empresa violou o seu direito à liberdade sindical».

«Não é novidade nenhuma nesta empresa, que se vangloria de ser modelo, o ataque ao verdadeiro sindicalismo ou ao pessoal doente», denuncia a presidente do comité da Mercadona da Corunha, María López.

Em seu entender, com estas práticas de medo e perseguição, a empresa pretende que os trabalhadores «estejam "dentro do modelo", ou seja, não ser da CIG, não reivindicar quaisquer direitos, não estar doente e ir trabalhar mesmo que esteja a morrer».

«A Mercadona quer que sejamos escravos»

Neste contexto, a dirigente sindical alerta para o aprofundamento desta «estratégia patronal» nos últimos tempos, nomeadamente porque a CIG consolidou a sua presença nos comités da Corunha, de Pontevedra e Ourense, tendo ocorrido um elevado número de suspensões de prémios, de despedimentos sem justa causa e assédio a pessoas que a empresa considera «não enquadradas no modelo de qualidade total».

López entende que é necessário travar esta estratégia «muito perigosa» e que «mesmo toda a sociedade deve reagir, porque o que Mercadona quer é que sejamos escravas e escravos, não trabalhadoras e trabalhadores».

O «proclamado aumento salarial dos empregados da Mercadona é discriminatório para com os trabalhadores que estão ou ficam doentes – porque não lhos aplicam», denunciou, acrescentando que eles «não querem que se conheça a realidade, mas que as pessoas deviam saber tudo isto».

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui