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Pequim repudia tarifas aduaneiras dos EUA e promete medidas de resposta

O Ministério chinês do Comércio declarou a sua firme oposição à decisão dos EUA de impor as chamadas tarifas «recíprocas» aos seus parceiros comerciais e prometeu responder com contramedidas.

Trabalhadores concluem a montagem de um veículo eléctrico na Leapmotor, em Jinhua (província de Zhejiang, Leste da China) (imagem de arquivo) Créditos / Global Times

De acordo com a declaração, proferida esta quinta-feira, a justificação a que Washington recorre – assente num alegado prejuízo comercial a nível internacional – ignora os resultados de décadas de negociações multilaterais, que estabeleceram um equilíbrio de interesses no comércio internacional.

«Os Estados Unidos determinaram as chamadas "tarifas recíprocas" com base em avaliações subjectivas e unilaterais, o que não está em conformidade com as regras do comércio internacional, prejudica gravemente os direitos e interesses legítimos das partes relevantes e é uma prática típica de intimidação unilateral», afirmou o representante do Ministério do Comércio, em Pequim.

Acrescentou que muitos parceiros comerciais expressaram forte insatisfação e clara oposição à medida dos EUA, qualificando-a como como prática unilateral e abusiva.

«A história mostra que o aumento das tarifas não resolve os problemas dos Estados Unidos», disse o representante, citado pela Xinhua. Em seu entender, tais medidas «prejudicam os interesses dos EUA e põem em risco o desenvolvimento económico mundial, bem como a estabilidade industrial e da cadeia de abastecimento».

«Não há vencedores numa guerra comercial e o proteccionismo não leva a lado nenhum», disse o porta-vez, exortando os EUA a cancelarem de imediato as medidas tarifárias unilaterais e a resolverem as divergências com os seus parceiros comerciais por via do diálogo entre iguais.

Guerra a eito, para a América «rugir outra vez»

Na quarta-feira, o presidente norte-americana, Donald Trump, elevou a um novo patamar a sua guerra comercial, ao anunciar a imposição de medidas aduaneiras-base de 10% sobre as importações de todos os países – em vigor a partir desta sexta-feira.

A alguns países – que a Casa Branca considera mais «infractores» – foram aplicadas «tarifas recíprocas» mais elevadas, como a China (34%), o Vietname (46%) ou o Camboja (49%); à União Europeia foi aplicada uma tarifa de 20%.

O presidente norte-americano, que também anunciou um imposto de 25% sobre todos os automóveis fabricados no estrangeiro, garantiu que «os empregos e as fábricas voltarão a rugir no nosso país», sublinhando que não se trata apenas de uma questão económica, mas de uma questão de segurança nacional, que ameaça «o nosso modo de vida».

Também esta quinta-feira, a China voltou a criticar a aplicação, por Donald Trump, da Secção 232 da Lei da Expansão do Comércio, de 1962, que permite a um presidente norte-americano restringir as importações com o argumento da «segurança nacional».

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China recordou que as medidas tarifárias aplicadas ao abrigo da Secção 232 «são há muito julgadas pelo sistema de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio como uma violação do sistema de comércio multilateral baseado em regras».

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