|comércio internacional

Tarifas americanas confirmam a natureza do sistema económico e social vigente

No dia do anúncio das tarifas, denominado por Donald Trump como «Dia da Libertação», a apreensão cresce no seio europeu à medida que fica evidente que a relação dos EUA com a União Europeia é meramente utilitária para a manutenção da sua hegemonia. 

CréditosAllison Dinner / EPA

«Amigos, amigos, negócios à parte», para além de um chavão popular parece ser também a máxima que guia actual a doutrina económica dos EUA que, por fruto do seu declínio relativo, colocará em marcha um conjunto de tarifa a um vasto conjunto de productos de modo a salvaguardar os seus interesses. 

O anúncio feito por Donald Trump, presidente norte-americano que apelidou o dia de hoje de «Dia da Libertação», pretende proteger a economia do seu país, eliminar factores concorrenciais e dinamizar um vasto conjunto de sectores de actividade que estão a passar por dificuldades. 

Em causa está a aplicação de tarifas de 10%. Os principais países com as tarifas mais elevadas incluem o Camboja (49%), o Vietname (46%), a Tailândia (36%), a China (34%), Taiwan (32%) e a África do Sul (30%). Já os países da União Europeia estão sujeitos a tarifas de 20%. Os impostos sobre os carros fornecidos aos EUA terão tarifas 25%, sendo que os bens importados que são essenciais para a produção e a segurança nacional não serão afectados.

Seguindo Trump, os lucros das tarifas para pagar a dívida nacional do país e para remover taxas, os estados devem cancelar as suas próprias tarifas e remover barreiras aos produtos dos norte-americanos.

Apesar das tarifas terem efeitos imediatos a partir do momento do anúncio, Donald Trump prometeu ser «gentil», ainda assim, no seio da União Europeia soam os alarmes. Ontem, antes do anúncio das medidas, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), considerou que as acções da Casa Branca vão «desestabilizar o mundo do comércio, tal como o conhecemos».

Numa entrevista ao programa de rádio irlandês The Pat Kenny Show, Lagarde afirmou que o que aí vem «não será bom para a economia global». Ao contrário do que fez em situações em que a economia da União Europeia foi afectada, desta vez Lagarde não se alargou em recomendações, dizendo que o trabalho do BCE passa por antecipar e explicar aos líderes políticos as consequências em termos de impacto económico.

«Não devemos concentrar-nos exclusivamente no que está a acontecer do outro lado do oceano, devemos concentrar-nos na força que temos em casa (Europa) e na forma como podemos recuperar a independência que não temos, isto aplica-se à defesa, ao comércio, às finanças e à forma como o dinheiro circula na Europa», disse. 

Em reacção ao anúncio da Casa Branca, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje que a União Europeia está pronta para responder à imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos e está a trabalhar em novas medidas de retaliação.

«Já estamos a finalizar o primeiro pacote de contramedidas em resposta às tarifas do aço e estamos agora a preparar outras medidas para proteger os nossos interesses e negócios, se as negociações falharem», disse a dirigente.

Von der Leyen lamentou a decisão de Trump, acrescentando que as tarifas serão «um rude golpe» para a economia global e que terá «consequências terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo».
 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui