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PAM insiste no alerta: a comida está a acabar em Gaza

Em dois dias consecutivos, o Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou para escassez de alimentos em Gaza, onde as forças de ocupação intensificam operações, atacam infra-estruturas da ONU e massacram civis.

O Programa Alimentar Mundial repete os alertas para a situação de escassez de comida na Faixa de Gaza cercada Créditos / @WFP

Numa «actualização», esta terça-feira, o PAM alertou que o abastecimento para a distribuição de refeições quentes no enclave costeiro será suficiente para um máximo de duas semanas, e que os últimos cabazes alimentares iam ser distribuídos em dois dias.

O alerta, na conta de Twitter (X) do organismo das Nações Unidas, foi feito tendo em conta a situação de bloqueio que a ocupação mantém, impedindo a entrada de ajuda.

O PAM confirmou que as 25 padarias por ele apoiadas no território palestiniano tinham fechado devido à escassez de combustível e de farinha.

«As refeições quentes continuam, mas os abastecimentos vão durar no máximo duas semanas», referiu o PAM, acrescentando que os últimos cabazes alimentares serão distribuídos no espaço de dois dias.

Este alerta segue-se ao que o Programa Alimentar Mundial tinha realizado no dia anterior, sensivelmente com o mesmo conteúdo, com as padarias, as cozinhas e a distribuição a enfrentarem uma situação de carência-recorde de stocks.

Clínica gerida pela Unrwa bombardeada pela aviação israelita

Pelo menos 22 pessoas, nove das quais menores, morreram, esta quarta-feira, na sequência de um ataque aéreo israelita a uma clínica da agência da ONU para os refugiados palestinianos (Unrwa), no campo de Jabalia (Norte da Faixa de Gaza), refere a PressTV.

Não é a primeira vez que as forças de ocupação atacam instalações da Unrwa e da ONU, como escolas tranformadas em refúgios para pessoas deslocadas. 

De acordo com a Wafa e The Cradle, o ataque à clínica, que albergava pessoas deslocadas e foi condenado pelo Ministério palestiniano dos Negócios Estrangerios, foi um de vários perpetrados pelas forças de ocupação em vários pontos do território, nomeadamente em Rafah e Khan Younis (Sul), onde também se registaram vítimas mortais.

De acordo com um repórter da RT a que The Cradle faz referência, nos ataques ao Sul do enclave perderam a vida pelo menos 21 pessoas.

Esta ofensiva aérea antecedeu uma outra, terrestre, que materializou a ampliação das operações israelitas na região, com mais uma divisão no terreno.

Fontes sionistas revelaram, esta quarta-feira, que a ocupação ia «capturar uma grande extensão de terreno», com o intuito de a acrescentar às «zonas de segurança do Estado de Israel».

Entretanto, a Wafa deu conta de novos bombardeamentos em Khan Younis, que provocaram a morte a pelo menos oito agricultores e dezenas de feridos.

Os massacres continuaram na madrugada desta quinta-feira, com a aviação israelita a atingir a Cidade de Gaza e Khan Younis. Há registo de mais de meia centena de vítimas mortais.

No passado dia 18 de Março, as forças de ocupação puseram fim ao cessar-fogo em vigor desde 19 de Janeiro e retomaram os bombardeamentos aéreos e de artilharia no enclave, provocando pelo menos 1066 mortos e 2597 feridos (dados divulgados pelo Ministério da Saúde em Gaza esta quarta-feira).

O número de mortos como resultado da agressão israelita à Faixa de Gaza desde 7 de Outubro de 2023 subiu para 50 423 (havendo cerca de 14 mil desaparecidos dados como mortos); os feridos registados são 114 638.

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