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Em São Paulo, encontro procura respostas às crises geradas pelo capitalismo

A IV conferência «Dilemas da Humanidade: Perspectivas para a Transformação Social» tem lugar na capital paulista de 7 a 10 de Abril, reunindo mais de 70 intelectuais e líderes de movimentos.

Painel de abertura da III conferência «Dilemas da Humanidade», em Joanesburgo (África do Sul) CréditosRafael Stedile / Peoples Dispatch

Economistas, sociólogos, líderes políticos e de movimentos sociais de países como Brasil, Argentina, Rússia, China, Benim, Sri Lanka ou México juntar-se-ão em São Paulo, de 7 a 10 deste mês, para participar na quarta edição da conferência «Dilemas da Humanidade: Perspectivas para a Transformação Social».

O objectivo é, de acordo com os organizadores, «debater soluções económicas e sociais concretas diante das crises geradas pelo capitalismo e pelo neoliberalismo em todo o mundo».

A conferência construída pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e a Assembleia Internacional dos Povos (AIP) vai «trocar ideias, propor soluções e reflectir sobre as suas experiências na formulação de políticas públicas e na gestão de governo», além de «actuar no combate à fome, às desigualdades sociais e à crise ambiental».

«Como»

A actual edição segue-se à conferência que teve lugar em Joanesburgo (África do Sul) em Outubro de 2023. No final, os participantes afirmaram na «Carta de Joanesburgo» que «o socialismo é uma necessidade alcançável» e proclamaram «a necessidade urgente de superar a angústia do nosso presente para construir o socialismo agora», lembra o Peoples Dispatch.

Em São Paulo, parte-se desta afirmação para abordar a questão do «como». «Como podem os movimentos de esquerda e progressistas nas sociedades capitalistas construir projectos e programas para combater a desigualdade e a fome?»

«Como podem os países do Sul Global promover as forças produtivas nos seus países e passar de exportadoras de matérias-primas a produtoras industriais?»

«Como podem os governos progressistas do Sul Global investir em programas sociais essenciais do sector público para eliminar as desigualdades históricas enquanto estão sobrecarregados pela dívida externa?»

Estas e outras questões serão abordadas por personalidades como a Josefina Morales (economista e professora mexicana), o russo Yaroslav Lissovolik (assessor da Rússia no FMI e fundador do BRICS+ Analytics), Marcio Pochmann (do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Vijay Prashad (historiador indiano e director executivo do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social), João Pedro Stedile (fundador do MST), Paulo Nogueira Batista Jr. (ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento) e Claudio Katz (economista argentino), entre outros.

A economia mundial, tal como existe agora, é incapaz de resolver os problemas dos trabalhadores

A sessão de abertura, que terá lugar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, contará com a presença do ministro brasileiro da Economia, Fernando Haddad. As restantes sessões decorrem no Teatro do Sesc Pompeia e são abertas ao público.

Destacando a importância do evento, Vijay Prashad disse: «Há muito tempo que é claro que a economia mundial, tal como existe agora, é incapaz de resolver os problemas básicos que os trabalhadores enfrentam em todo o mundo.»

«O trabalho tornou-se mais precário, tornou-se mais perigoso, prejudicou a psique das pessoas, que têm dificuldade em sobreviver, que têm dificuldade em construir uma vida. Precisamos de políticas alternativas à forma como o mundo está actualmente estruturado», frisou.

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