De acordo com o CEPA, para que a população argentina recupere o nível médio de poder de compra registado em 2023, durante o governo Alberto Fernández, o salário mínimo precisava de um aumento de 271 315 pesos (154,5 euros), equivalente a 70,7%, a valores de Setembro de 2026.
O nível actual do salário mínimo está 12,3% abaixo da média registada durante a década de 1990, o que o coloca, em termos reais, num nível semelhante ao de Abril de 2002, um dos momentos de maior deterioração do poder de compra das últimas décadas, alerta o CEPA no seu mais recente relatório.
A defasagem é ainda maior em relação a outros períodos. Por exemplo, para recuperar o poder de compra de Novembro de 2019, seria necessário aumentar o salário mínimo em 101,4%. Já para alcançar o nível de poder de compra de Novembro de 2015, seria preciso um aumento de 163,6%.
O estudo refere-se também ao máximo histórico do poder de compra, atingido em Setembro de 2011. Em valores de Setembro de 2026, aquele pico equivaleria hoje a um salário mínimo de 1 158 888 pesos (660 euros), indica o Centro.
Aumento das tarifas e perda de poder de compra
A perda de poder de compra do salário mínimo também está relacionada com os grandes aumentos dos preços de serviços essenciais e dos transportes públicos, que reduz de forma progressiva a qualidade de vida das famílias argentinas.
De acordo com o estudo, enquanto o salário mínimo subiu 158%, as tarifas do metro aumentaram 2005%, as dos autocarros, 1510%, e as de comboio, 1090%.
Em simultâneo, as tarifas de electricidade, gás e outros combustíveis aumentaram 856%, enquanto a gasolina premium registou um aumento de 631%.
Durante o governo de Milei, o Ministério do Trabalho definiu reiteradamente o salário mínimo em patamares próximos daqueles que as associações patronais reivindicam, sem atender às exigências de recuperação do poder de compra apresentadas pelos sindicatos em Junho e Dezembro de 2024, Abril e Novembro de 2025, e Setembro de 2026, refere o estudo.
Desta forma, o peso da austeridade recai sobre os trabalhadores, enquanto as políticas adoptadas favorecem a preservação das margens de lucro do sector empresarial.
No passado dia 2, após o fracasso das negociações com os sindicatos, o governo argentino formalizou de modo unilateral, por via da Resolução 4/2026, um novo patamar para o salário mínimo, que alcançará os 437 mil pesos (cerca de 249 euros) em Abril de 2027, refere a TeleSur.
As organizações sindicais reclamavam uma remuneração básica de 993 mil pesos (cerca de 566 euros) em Dezembro deste ano, e denunciam que o salário mínimo aprovado pelo governo fica muito abaixo daquilo que os trabalhadores necessitam para fazer frente às despesas essenciais.
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