No encontro que decorre em Colombo, capital do Sri Lanka, desde quinta-feira, mais de 70 delegados de 43 organizações e 17 países dialogam sobre as múltiplas dimensões da «verdadeira soberania» e o «processo de sua construção colectiva», no meio de uma ofensiva norte-americana na região.
O evento, que termina este sábado, é organizado pela Assembleia Internacional dos Povos com o apoio do Instituto Tricontinental de Investigação Social, reunindo dezenas de representantes sindicais, de partidos progressistas e organizações populares, académicos, diplomatas e activistas, para «exigir às potências imperialistas que se mantenham afastadas da região e construir uma “agenda comum para a soberania e a solidariedade”», refere o Breakthrough News.
«“Mãos fora da Ásia” significa hoje socialismo», declarou o historiador marxista, jornalista e editor indiano Vijay Prashad, também director executivo do Instituto Tricontinental de Investigação Social.
Prashad afirmou que o desafio político central para os povos do continente consiste em construir poder popular e cooperação regional face às restrições impostas pelo imperialismo. «Mãos fora da Ásia é mais do que fechar bases; significa permitir que os povos da Ásia determinem o seu próprio destino», disse.
Dimensões da soberania e desafios colocados pelo imperialismo
No primeiro dia de trabalhos, os intervenientes abordaram as diversas dimensões da soberania e os desafios que as forças de esquerda enfrentam. Também se centraram na arquitectura do confronto concebida pelo imperialismo norte-americano, nas dinâmicas de mudança de regime e nas operações de desestabilização em todo o continente.
Pushpa Kamal Dahal (Prachanda), ex-primeiro-ministro e presidente do Partido Comunista do Nepal, referiu que, numa época em que os mecanismos de dominação se tornaram mais sofisticados, a democracia deve abarcar uma participação significativa na vida política, económica e social de todos os sectores da sociedade, especialmente para os mais desfavorecidos.
Dammika Patabendi, ministro do Ambiente do Sri Lanka, aludiu à longa trajectória do partido de esquerda Janatha Vimukthi Peramuna (JVP), que enfrentou uma repressão brutal mas continuou a acompanhar o povo nas suas lutas, e hoje integra o governo do Poder Popular Nacional – que coloca o povo no centro do projecto de reconstrução do país, depois da crise económica que o devastou.
Ásia, o centro de gravidade
Com a China como principal motor, o centro de gravidade da economia mundial está na Ásia, que alberga aproximadamente 60% da população mundial e, entre 2015 e 2025, contribuiu com 70% do crescimento económico global, principalmente devido à sua produção industrial, observaram os organizadores nos dias que antecederam a conferência.
Lembrando que o continente possui uma longa história de resistência ao domínio imperialista, de luta anticolonial e de luta pela libertação nacional, os promotores sublinham que, na actualidade, os povos e os governos da Ásia se encontram na mira de uma nova Guerra Fria, asfixiados pelo jugo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a aguentar o fardo de dezenas de milhares de soldados norte-americanos colocados em cerca de 400 bases espalhadas pela região.
Neste contexto, perguntam o que significa uma soberania genuína para os povos do continente e como podem as organizações progressistas juntar forças para a construir.
«Os povos da Ásia conhecem o custo do imperialismo e recordam as muitas lutas e revoluções históricas travadas no continente – desde a Revolta Árabe (1917-1918) à Revolução Chinesa (1949), passando pela Guerra de Resistência do Vietname contra os EUA (1955-1975)», afirmam membros da Assembleia Internacional dos Povos, frisando que a luta contra o imperialismo continua a ser travada hoje «em muitas frentes, de Gaza a Colombo e Okinawa».
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui