Lin Jian, representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros, criticou o documento intitulado «Testando os limites: a influência autoritária da China e da Rússia em grande escala numa nova era de impunidade», apresentado esta quarta-feira pela organização norte-americana.
Numa conferência de imprensa em Pequim, esta quinta-feira, Lin afirmou que o dito relatório da NED sobre a China e a Rússia foi produzido com motivações maliciosas e constitui uma conduta inadmissível, à qual a China se opõe de forma veemente.
Lin declarou que o documento está «repleto de mentiras, falácias e desinformação», construindo e amplificando deliberadamente uma narrativa sobre uma alegada «expansão autoritária».
O relatório visa difamar as relações externas e a cooperação internacional da China, alimentando ainda a «teoria da ameaça chinesa», disse ainda Lin, citado pelo Global Times.
NED, «promoção da democracia» e ingerência externa
O representante da diplomacia chinesa defendeu que a NED utilizou durante muito tempo a «promoção da democracia» como pretexto para tentar subverter governos noutros países e interferir nos seus assuntos internos.
Procurou ainda fomentar a divisão e o confronto, manipular e perturbar a opinião pública, «trazendo grandes desastres a muitos países», sublinhou Lin, recordando que a organização norte-americana «tem um longo e sórdido historial de má conduta, conquistou uma reputação infame e é condenada pela comunidade internacional».
O porta-voz destacou que a China, opondo-se firmemente a estas acções, tem procurado desenvolver relações amistosas e de cooperação com todos os países tendo por base os Cinco Princípios da Coexistência Pacífica, estando sempre disposta a partilhar oportunidades de crescimento e a defender a equidade e a justiça a nível internacional.
«A China é amplamente reconhecida como construtora da paz mundial, contribuinte para o desenvolvimento global e defensora da ordem internacional», acrescentou Lin.
Neste contexto, instou instituições e pessoas nos EUA «a adoptarem uma perspectiva correcta sobre a China, a livrarem-se de preconceitos e arrogância, a porem fim à manipulação política e a prestarem mais atenção à resolução dos problemas internos no seu próprio país».
As tramas da subversão e da desestabilização
Criada em 1983 e financiada pelo Congresso norte-americano, a Fundação Nacional para a Democracia tem sido alvo de muitas críticas a nível internacional, nomeadamente pelo apoio prestado a organizações e projectos ligados à subversão e à desestabilização política em diversos países.
Em Junho de 2018, o jornalista Max Blumenthal devotou o artigo «Máquina intervencionista da administração norte-americana vangloria-se de "preparar o terreno para a insurreição" na Nicarágua» à desmontagem da «trama do golpe» no país centro-americano, em que não faltaram figuras da fina flor da extrema-direita intervencionista, como Ted Cruz ou Marco Rubio, ou os milhões da NED.
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