«Eu não sei se a sociedade actual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa», afirmou o responsável aos jornalistas, em Vila Nova de Gaia, esta quinta-feira, numa reacção às manifestações que têm vindo a ocorrer pelo direito à habitação.
«É preciso que haja um compromisso de todos», atirou Benjamim Pereira, sugerindo que os jovens se organizem em cooperativas. Ao mesmo tempo que valorizou o regime de arrendamento dito acessível, onde um apartamento de tipologia T2 em Lisboa pode custar até 1309 euros, e os contratos de investimento para arrendamento, com benefícios fiscais até 25 anos para investidores, o antigo presidente da Câmara de Esposende, eleito pelo PSD, atirou que a crise da habitação não será resolvida nos próximos anos. Apesar disso, argumentou que o facto de haver manifestantes nas ruas, «não quer dizer desde logo que tenham razão».
Numa altura em que ter trabalho não chega para ter uma casa, o impacto das afirmações levou Benjamim Pereira a ensaiar uma mudança de discurso, o que não evitou a apresentação de requerimentos de audição parlamentar na Assembleia da República.
«O que fiz foi um paralelismo com o passado, evidenciando, através de um exemplo pessoal, que a habitação sempre foi um problema neste país e que os portugueses sempre valorizaram e se sacrificaram muito para poderem ter uma habitação própria», disse esta manhã.
Para o PCP, que hoje requereu a presença do responsável no Parlamento, as «insultuosas» declarações de Benjamim Pereira não podem ser ignoradas no plano político. «Quando os jovens no nosso país são confrontados com uma situação insustentável de preços exorbitantes na habitação, fruto de uma política de desregulação e descontrolo total, e até de incentivo à especulação imobiliária, em que o valor das rendas é o mais alto da Europa face aos salários, estas declarações do presidente do IHRU demonstram o desprezo com que também os responsáveis sob tutela deste Governo encaram os problemas e as lutas da população e principalmente da juventude», lê-se no requerimento apresentado pelo grupo parlamentar dos comunistas.
Também o BE entregou um requerimento para ouvir, com urgência, o presidente do IHRU na Assembleia da República, de quem pediu demissão. Os bloquistas enviaram ainda uma pergunta ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, onde sublinham que «não falta sacrifício» aos jovens portugueses, mas antes «casas a preços que os seus salários possam pagar», lembrando que cabe ao IHRU «garantir a concretização, coordenação e monitorização da política nacional de habitação».
De igual modo, os partidos Livre e PAN anunciaram que vão pedir a audição do presidente do IHRU no Parlamento.
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