Foram dias repletos de juventude e de luta, com protestos à frente das escolas do Secundário por todo o País, com a grande manifestação do Ensino Superior pelo fim da propina e com o desfile dos jovens trabalhadores da Interjovem, no dia 28 de Março, com a possibilidade de ouvirmos da boca dos jovens os problemas sentem e as suas reivindicações por melhores condições de vida.
Na passada sexta-feira, o AbrilAbril esteve presente na manifestação nacional da Interjovem, em Lisboa, e falou com alguns jovens sobre os problemas que sentem e as suas reivindicações por melhores condições de vida. Mas, não foi uma surpresa descobrir que os dilemas da juventude são os mesmos dos trabalhadores mais velhos, nalguns casos com agravantes.
Os seis jovens com quem conversámos expuseram as frustrações de crescer, estudar e trabalhar num País que não lhes assegura perpectivas de futuro, embora isso não lhes tire a esperança, nem a vontade de lutar.
Guilherme, 24 anos, engenheiro informático
O que te trouxe à manifestação?
Vejo o estado do trabalho jovem em Portugal, muitos sofrendo com vínculos precários, horários e folgas rotativas que não lhes deixam ter uma vida em condições. Estão numa situação em que não conseguem ver as suas perspectivas de futuro realizadas, porque simplesmente não têm condições financeiras para tal. Vemos muitos em casa dos pais ou de familiares, e não vemos saída disso.
Como tens enfrentado a crise na habitação?
Actualmente vivo com a minha avó. A partilhar casa, e mesmo estando com um vínculo efectivo numa área que supostamente dizem ser «boa» – a área da informática, encontro-me nesta situação porque os salários em Portugal não acompanham o custo de vida.
Como avalias as medidas do Governo do PSD-CDS-PP?
As medidas que o Governo coloca para jovens trabalhadores são para fazer parecer que está a ser feito alguma coisa e aderir ali o voto jovem, não apenas do Governo do PSD, mas também anteriormente do PS. No fundo, são medidas que estão apenas a tentar ocultar os problemas que mais cedo ou mais tarde vão surgir, ainda mais fortes. Estamos aqui porque sabemos que as reais medidas que deviam acontecer são a redução do custo de vida, a redução da especulação na habitação, ou até mesmo acabar com ela, o aumento dos salários, acabar com a precariedade nos vínculos de trabalho. Lutas, que, até serem implementadas, vão sempre ser as respostas verdadeiras aos problemas que estão a acontecer.
Já foste trabalhador-estudante?
Sim. Aliás, tirei uma licenciatura e, quando fui fazer o mestrado, vi-me na situação de ter de começar a trabalhar para conseguir pagar o mestrado. Só que essa situação também é horrível, é bastante difícil conciliar o trabalho full-time e um mestrado. Eu nem estava a trabalhar em condições, nem estava no mestrado em condições. Passado um ano e meio de mestrado acabei por ter que sair, porque estava sendo bastante negativo para a minha saúde mental. Ou eu fazia o mestrado e não trabalhava, o que não poderia porque assim ficava sem dinheiro para pagar o curso, ou eu trabalhava e desistia do mestrado, porque não estava a conseguir tirar grande aproveitamento.
Com a dissolução da Assembleia da República, que cenário antecipas?
Na minha opinião, para trazer mudança à actual situação da Assembleia da República tinha que ser através de uma força progressiva, de esquerda, com mais poder. No caso, digo, dando mais poder à CDU. Acho que é nisso que as pessoas têm que se focar, do que acreditar numa troca entre partidos, como o PSD e o PS, mas onde se inclui também a Iniciativa Liberal, o CDS-PP e o Chega… ao examinar as suas políticas, vemos que todas conduzem para este caminho, em que não queremos estar. Acho que estas eleições são uma possibilidade de as pessoas tomarem consciência. Quanto mais tempo isso demorar a acontecer, piores serão as condições.
Há alguma mensagem que gostasses de deixar aos jovens de Portugal?
Quero alertar os jovens que precisem de melhorar as suas condições para que falem com os seus sindicatos e venham às próximas manifestações da CGTP-IN. Que lutem pelos seus direitos, é isso que precisamos em Portugal, e só com a luta conseguiremos.
Afonso, 27 anos, designer gráfico, desempregado
Como tens enfrentado a crise na habitação?
Ter uma casa arrendada ou comprada é totalmente impossível, é uma ilusão, um futuro utópico para os jovens, um sonho que parece que não vai se concretizar, infelizmente. Ainda vivo com os meus familiares. Com os baixos salários e a situação actual é muito complicado emancipar-me.
Já foste trabalhador-estudante?
Já fui trabalhador-estudante e foi muito complicado, naturalmente. Tinha de estar a pular de um lado para o outro e as exigências, tanto no trabalho como na escola, fizeram daquele momento da minha vida bastante trabalhoso.
A Assembleia da República dissolvida traz alguma mudança no cenário?
Esta nova eleição pode, sim, trazer melhorias nas condições de vida, há esperança quando pensamos naquele conjunto de partidos que têm propostas semelhantes às reivindicações da CGTP-IN. No entanto, a manutenção do quadro actual dos partidos com maior representação não traz muita segurança.
Já pensaste em emigrar?
Penso com bastante frequência em emigrar. Sobretudo agora, na situação de desempregado, ponho na mesa essa opção.
Ainda assim, que mensagem gostarias de deixar aos jovens do nosso país?
Coragem e continuar a lutar, é a única coisa que temos à nossa disposição. É organizar-nos nos sindicatos de classe, é com a união e a luta contínua que vamos atingir aquilo que queremos: uma vida justa e digna para cada pessoa.
João, 25 anos, comunicação comercial
Como é o teu vínculo de trabalho, hoje?
Enquanto a empresa estiver a precisar de mim, mantenho o vínculo, através de contrato de trabalho a termo incerto.
Já foste trabalhador-estudante?
Fui trabalhador-estudante no ano passado, enquanto terminava o mestrado, e foi muito complicado. Lidar com o stress do local de trabalho, enquanto lidava com o stress de uma dissertação, foi desafiante. Estava em part-time e muitas vezes impingiam-me fazer mais horas, o que acabou por deixar em segundo plano a própria dissertação, que ainda não foi entregue.
Como tens enfrentado a crise na habitação?
Cada vez mais consigo identificar as dificuldades do dia-a-dia. Ainda vivo em casa dos meus pais e não vai ser pelo trabalho que, nesta fase conseguirei sair da casa deles. Com aquilo que estou a receber no momento nem consigo pensar bem quando saio. Uma casa só para mim é impensável, um quarto também é complicado, não sobraria dinheiro para a alimentação e outros gastos. Nessa fase é impossível.
Como avalias as medidas do Governo do PSD-CDS-PP?
A pensar no que está a falhar, temos muito que dizer, desde logo, a resistência em aumentar o Salário Mínimo Nacional. Todos os dias vemos as coisas a aumentar e aquilo que recebemos de salário mínimo não chega, é inacreditável. Além disso, a legislação laboral não nos é favorável, pelo contrário, coloca-nos sempre numa posição instável, que também nos impede de sair de casa porque não sabemos até quando teremos trabalho.
Mas não há dificuldades apenas nas questões do trabalho, temos visto as falências do SNS [Serviço Nacional de Saúde] e a necessidade de nós, enquanto jovens, lutarmos para haver serviços essenciais com a qualidade merecida.
Temos que ter em conta que a queda do Governo veio daquilo a que já estamos a assistir de continuidade de degradação, não só da vida dos trabalhadores, mas também dos jovens. Não iríamos ver ali um Governo de estabilidade com manutenção de direitos, seria impensável. De momento, o cenário político está bastante imprevisível, por isso estamos aqui para nos fazer ouvir e mostrar à próxima composição da Assembleia da República quais são as nossas reivindicações e o que precisamos para ter uma vida digna e com condições.
Neste cenário já pensaste em emigrar?
Emigrar não está nos meus planos, prefiro estar aqui a lutar por um país melhor, do que emigrar.
Nuno, 24 anos, desempregado
Estás desempregado, o que aconteceu no último emprego?
Foi uma bronca do caraças. Eu era estagiário numa agência de marketing. A agência tinha imensos trabalhadores com vínculo precário, a maioria estagiários. A ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho] apareceu lá, fez pressão para que pagassem uma multa enorme, e para passarem os estagiários a trabalhadores efectivos. A maioria deles acabou por sair, inclusive eu.
Entretanto, não estou a conseguir arranjar um trabalho na minha área, mesmo com o mestrado. Tem sido difícil, seja como júnior ou até mesmo um estágio. O patronato, as empresas, dizem que não tenho experiência profissional.
Muitas vezes peço um salário condizente com o de uma pessoa que já tem mestrado… mas o salário costuma ser a última pedra para que me coloquem de lado e eu não arranje trabalho.
Como avalias as medidas do Governo do PSD-CDS-PP?
São muitas as lacunas deste Governo e vê-se desde o início, desde a ausência do aumento geral dos salários. Com 850 euros talvez dê para viver em algumas cidades, no Interior e até em alguns distritos de Portugal, mas para a minha situação, em Lisboa, é muito difícil viver com um salário mínimo, ser independente dos meus pais e ter um sítio para morar. Se calhar, nem consigo sobreviver com 850 euros.
Outras falhas têm sido a nível da habitação, acho vergonhoso achar que não existe nenhum problema com a habitação. As rendas estão impossíveis em Lisboa. A saúde também está horrível, não sei como é possível, mas em ano e meio conseguiram deixar pior do que estava.
Saúde, trabalho, transporte, casa… é quase impossível um jovem viver em Portugal, o que obriga muitos a ir para o estrangeiro à procura de melhores condições.
Também já pensaste em emigrar?
Tirei o meu mestrado na Holanda e pensei em ficar por lá, porque a diferença entre cá e lá, mesmo com todas as políticas liberais, em relação ao salário mínimo é enorme. Lá, neste momento, o salário mínimo é de 14 euros por hora, o que dá à volta de 2400/2500 euros mensais. Mesmo com a crise da habitação da Holanda, é muito mais fácil viver do que com o salário mínimo português.
Como tens enfrentado a crise na habitação?
Neste momento vivo com os meus pais e já pensei em sair, mas arranjar uma casa ou um quarto é quase impossível. Tenho visto preços de quartos… 600, 800, 900 euros por um quarto. Se sobrarem 200 euros é um bocado difícil morar em Lisboa, para além da alimentação é preciso pagar o passe e muitas outras coisas. E mesmo se for apenas «casa e trabalho» faz com que também não tenhamos acesso à cultura. Não temos tempo nem dinheiro para sermos jovens, sairmos à noite, estarmos com as pessoas. A nossa vida não é só trabalho e sinto que tem sido um pouco essa a dinâmica em qualquer emprego.
Já foste trabalhador-estudante?
Nunca fui trabalhador-estudante, sinto-me privilegiado por isso e tenho que agradecer muito aos meus pais. Mas tenho vários amigos que foram e é difícil, muitas vezes não têm tempo para estarmos juntos. Como é óbvio, se não estão a estudar, estão a trabalhar, se não estão a trabalhar, estão a estudar, é difícil estar com essas pessoas.
A Assembleia da República dissolvida traz alguma mudança no cenário?
As novas eleições dão-me esperança de que a votação seja diferente, com uma maior vitória da esquerda. Espero que a CDU consiga um aumento dos votos, tanto em Lisboa como no Porto, para eleger mais representantes. No entanto, do que tenho visto, estou um bocado assustado com o crescimento de forças reaccionárias como a Iniciativa Liberal ou o Chega.
Dou um exemplo desse crescimento: estou em contacto com vários serviços públicos como o IEFP e o DIEESE e tem sido muito frustrante. O meu título de mestrado precisa ser validado em Portugal para que eu possa trabalhar na função pública, o que penso que deveria ser fácil por ter sido tirado dentro da União Europeia, mas tive de pagar pelo menos 50 euros por essa validação. Vou ao IEFP, há filas enormes de espera, dizem-me que não é possível inscrever-me e que devo fazê-lo online. As ofertas até são compatíveis com os meus estudos, mas como ainda não tenho o título de mestre válido, não consigo candidatar-me a essas vagas. Esta situação vai-se estendendo e, quando não há consciência política para compreender o que se passa, cria-se raiva e indignação, ficando muito mais fácil votar em forças reaccionárias. Isso para mim é muito assustador.
Há alguma mensagem que gostarias de deixar aos jovens?
Não percam a esperança, a luta já nos permite ir muito longe, mas organizados temos o mundo.
Daniela, 23 anos, professora, desempregada
Estás desempregada, o que aconteceu no último emprego?
Era professora com contrato a termo e tive que abandonar a profissão para fazer um mestrado, porque não era possível ser trabalhadora-estudante. Cheguei a tentar essa opção, mas era completamente impossível com o número de horas, tanto na faculdade e no estágio, como no local de trabalho. Sendo que o objectivo do mestrado é para, no futuro, efectivar, ter um vínculo de trabalho, alguma estabilidade na vida.
Eu acho que há aqui uma questão que é fundamental: nós, jovens, somos a camada mais desfavorecida da população, não temos habitação, não temos salários, os nossos horários são absurdos e a malta está cansada… já chega, está na hora de vir para a rua. Não dá para viver assim para sempre.
Como avalias as medidas do Governo de Montenegro?
O aumento do salário não foi significativo e, na habitação, o problema não foi de todo resolvido. Nem sequer foi mexido, continuamos com este problema que não se vai conseguir resolver tão cedo.
Eu tenho 23 anos e gostava de já ter uma casa, mas é impossível. Vivo na casa dos meus pais. Faço um pé-de-meia a pensar que um dia conseguirei alugar uma casa, mas a caução e a renda… é impossível. Nem com um salário acima da média é possível arrendar uma casa em Lisboa e comer ao mesmo tempo, não é fazível.
A Assembleia da República dissolvida traz alguma mudança no cenário?
Independentemente da queda do Governo, temos que enfrentar as coisas a pensar que existem alternativas possíveis para melhorar a vida dos jovens. A gente tem que dar apoio aos partidos que realmente pensem que os jovens precisam de uma habitação, melhores salários, estabilidade na vida, horas de trabalho reduzidas, porque, se não for assim, se estes governos continuarem da maneira que estão, não haverá jovens para continuar, ou porque tiveram um burnout ou porque emigraram. Temos que procurar forças políticas que defendam os jovens.
Neste cenário, já pensaste em emigrar?
Já cogitei a imigração, sem dúvida que sim. Porque é insuportável, é pensar que é quase impossível eu ter uma vida estável dentro do meu próprio país, onde eu nasci e de onde não quero sair. E pensar que há um país lá fora, que me pode dar melhores condições do que este, deixa-me muito triste. Acho que deixa qualquer jovem.
E o que ainda te mantém em Portugal?
Pensar que é o meu país, pensar que, efectivamente, quando for professora tentarei dar aos alunos a ideia de uma vida diferente, uma em que possam acreditar que o futuro deste país está com os jovens e é aqui que temos que continuar.
Que mensagem gostarias de deixar aos jovens de Portugal?
Os jovens precisam de se organizar, está mais do que na hora: têm que dar força aos seus sindicatos e têm que tomar nas mãos os destinos das suas vidas. Senão, não vai dar.
Rodrigo, 28 anos, bancário
O que te trouxe à manifestação?
A luta pelo aumento dos salários, que faça frente ao aumento incessante do custo de vida. O Governo não tem feito grande coisa para que isto mude. Trabalhar menos horas para ter tempo, talvez para pensar em constituir uma família, mas às vezes só para beber um copo ou para namorar.
Lutamos contra a precariedade, a maior parte dos jovens, hoje, em Portugal, tem-se defrontado com isso. Temos um terço dos jovens até aos 35 anos em situação de precariedade e dois terços até aos 25 anos. E isso deve-se às opções do Governo, não há vontade política de mudar esta situação. Isto já dura desde que foi instituído o Código do Trabalho. Estamos aqui para defender que cada necessidade permanente numa empresa corresponda a um vínculo efectivo.
Como é o teu vínculo de trabalho?
Hoje tenho vínculo efectivo, mas já tive trabalho precário. Já trabalhei com contrato a termo e também por turnos… na altura era um complemento para ajudar nos estudos, mas depois isso atrasou a minha carreira. Hoje poderia ter um salário mais alto, mas como estive nessa situação de trabalhador-estudante acabei por ficar estagnado durante esse tempo na carreira.
Como tens enfrentado a crise na habitação?
Já fui despejado duas vezes durante esta crise da habitação. Tem sido difícil, porque não consigo [arranjar casa] com contrato e os contratos que se conseguem são normalmente de um ano, o que já pressupõe que a renda vai continuar a subir, mesmo que já tenha subido brutalmente desde 2021. É uma instabilidade profunda a pessoa sem saber se vai ter onde dormir e sem saber como vai organizar o resto da vida.
Hoje estou num quarto a pagar em torno de 500 euros, é uma casa partilhada e muito pequena. Mesmo nessas condições, nem assim tenho tecto assegurado, já que não tenho contrato de arrendamento.
Como avalias a actuação do Governo do PSD e do CDS-PP?
Do Governo vemos apenas propaganda em torno da questão da habitação, disseram que havia muitas medidas. A única medida que há é a garantia pública no acesso à primeira casa, só que isso pressupõe que eu tenha um vínculo de trabalho efectivo para o banco me conceder um crédito à habitação. Para além disso, pressupõe que eu tenha um salário suficiente para ter uma taxa de esforço que permita comprar uma casa… para a maioria dos jovens que vivem com 800 ou até 1000 euros não dá com certeza para ter um empréstimo, cuja prestação vai ser 700 euros, quando a taxa de esforço vai ser de 30%.
Não vimos nenhum aumento de salário substancial, nem sequer foi um aumento real. O que foi negociado em concertação social foram aumentos de 4%, quando a inflação dos bens alimentares passou dos 20%, a da habitação já passou os 50% nos últimos quatro anos e os nossos salários continuam na mesma, o que inviabiliza pensar em ter despesas com filhos, ou melhorar a minha formação para ter melhores condições no mercado de trabalho.
Para além disso, aquela medida do IRS Jovem, que vem no lugar do aumento dos salários, só faz com que, no médio-longo prazo, tenhamos mais gastos com saúde, habitação e outras necessidades básicas, porque não haverá serviço público a concorrer devido à diminuição na colecta de impostos. Afinal, os trabalhadores são quem mais desconta e isto seria um grande impacto sobre o Orçamento do Estado. E o mais importante, essa medida não significa o aumento dos salários. Nós vemos os lucros a aumentar, mas muito pouca vontade de nos dar uma parte desses lucros, quando somos nós que o produzimos. Isto não mudou com este Governo [PSD/CDS-PP], não mudou com o anterior [PS] e nem vai mudar se continuarmos nessa alternância entre o PSD e o PS.
A Assembleia da República dissolvida traz alguma mudança no cenário?
A possibilidade de novas eleições só pode trazer esperança, é mais uma oportunidade para elegermos partidos que se preocupem efectivamente com as reivindicações que os trabalhadores vêm colocando nas suas várias manifestações, greves e plenários. Com a queda do Governo nós vemos que este sistema de PS ou PSD a governar está cada vez mais esgotado, as pessoas têm cada vez menos crença nisso, senão sustentavam o Governo, mesmo que tivesse um caso ou um casinho.
Se conseguirmos mobilizar as pessoas para a rua em torno de reivindicações importantes, como o aumento dos salários, que possam mudar as nossas vidas, temos aí uma oportunidade de mudar as coisas. Agora, se continuarmos a bater na mesma porta… no PSD, no PS, ou na política de direita, não vamos conseguir melhorar as nossas vidas.
Há alguma mensagem que gostasses de deixar aos jovens deste país?
É cliché, mas a luta continua, senão só tende a piorar. Só depende de nós: temos que estar na rua, nos sindicatos e nos locais de trabalho a tentar mudar as condições.
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