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MPPM denuncia repressão policial contra activistas pela Palestina

Vários activistas foram «intimidados» pela GNR por expressarem a sua solidariedade com a Palestina na Volta ao Alentejo, onde participa a equipa Israel Premier Tech. PCP exigiu esclarecimentos ao Governo.

Activistas pela Palestina foram identificados e intimidados pela GNR por exibirem bandeiras palestinianas na 42.ª edição da Volta ao Alentejo. Castelo de Vide, 29 de Março de 2025 
Créditos / MPPM

A acção repressiva das forças policiais ocorreu no passado Sábado, dia 29 de Março, durante uma etapa da Volta ao Alentejo em Castelo de Vide. Em vez de exercerem livremente o seu «legítimo direito de expressão, os activistas foram injustamente abordados pela GNR, identificados e intimidados», lamenta o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), em comunicado enviado ao AbrilAbril.

E que crime foi esse, cometido pelos activistas? «Exibiram bandeiras palestinas, simbolizando a solidariedade com luta do povo palestino pela justiça e pelos seus direitos nacionais», uma ofensa que militares da GNR não tardaram em punir, obrigando os activistas a sair do local. A GNR alegou a existência de um potencial de «confrontos» com elementos da equipa Israel Premier Tech, muito embora só os activistas tenham sido visados pela polícia.

Na corrente edição da Volta ao Alentejo, a 42.ª, participa a Israel Premier Tech, uma equipa financiada por figuras como o multimilionário israelo-canadiano Sylvan Adams que o MPPM considera não ser apenas uma «simples equipa desportiva». Estas formações funcionam como «um instrumento de "diplomacia desportiva"», uma forma de «desviar a atenção das graves violações dos direitos dos palestinos cometidas pelo governo israelita, incluindo práticas reconhecidas internacionalmente como apartheid, genocídio e crimes de guerra».

No comunicado, o MPPM condena «veementemente» a actuação das forças polícias, ressalvando, em oposição, «a atitude corajosa e solidária dos activistas vítimas da tentativa de intimidação». Para o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino, esta caso demonstra que «é também o próprio exercício da liberdade de manifestação e expressão dos portugueses, constitucionalmente consagrada, que está em jogo» quando activistas manifestam publicamente a sua solidariedade com a Palestina.

Os deputados PCP já anunciaram o envio de um conjunto de perguntas ao Ministro da Administração Interna sobre a situação, exigindo uma reacção do Governo PSD/CDS-PP ao que consideram ser uma violação do direito à liberdade de expressão e direito de manifestação.

No Domingo, 30 de Março, centenas de pessoas em vários pontos de Portugal assinalaram o Dia da Terra, que comemora a greve geral (violentamente reprimida) realizada nesse dia, em 1976, contra o anúncio de uma ocupação de 25km² por parte das forças israelitas. Presente na manifestação em Lisboa, Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, considerou «embaraçoso» o facto de o Governo português ainda não ter reconhecido o Estado palestiniano, uma posição que foi subscrita por dirigentes do Bloco de Esquerda que também participaram na acção.

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