A paralisação nacional contra as privatizações, agendada para 26 de Junho, envolve cerca de 2 700 000 trabalhadores do sector eléctrico-energético em todo o país sul-asiático, podendo ser «a maior de sempre».
Antes disso, em Maio, os trabalhadores do sector vão participar na greve que as principais centrais sindicais estão a organizar, a nível nacional, contra a implementação de alterações gravosas à legislação laboral por parte do governo de Modi.
Ambas as decisões, refere o Newsclick, foram tomadas na convenção nacional de empregados e engenheiros da energia eléctrica, que este domingo decorreu em Nagpur, no estado de Maharashtra.
Em nota de imprensa, a Federação dos Trabalhadores da Electricidade da Índia (EEFI, na sigla em inglês) deu conta dos temas abordados no encontro e instou os governos central e estaduais a cessar as privatizações no sector, acusando-os de «privatizarem à força um serviço público altamente rentável, eficiente e de baixo custo».
«Os ataques multifacetados ao sector público da electricidade e à segurança energética» da Índia foram alvo de debate na convenção nacional, que também notou «os ataques crescentes» aos «direitos democráticos dos trabalhadores e dos consumidores de electricidade», particularmente no estado de Uttar Pradesh – o mais povoado do país, com cerca de 250 milhões de habitantes.
A EEFI denuncia os «ataques desesperados de privatização» a duas empresas de Uttar Pradesh, que põem em risco o futuro de 27 mil empregados e engenheiros, bem como o de 50 mil trabalhadores contratados, e lembra que os trabalhadores do sector se mantêm ali em luta há 87 dias.
Privatizar à força, de forma irregular um serviço altamente rentável
«Depois de ter sido eleito pela terceira vez, o governo da NDA [Aliança Democrática Nacional] procura desesperadamente privatizar todos os serviços públicos de electricidade», afirma ainda a nota, acrescentando que, «sob o comando do governo central, a administração de Chandigarh privatizou à força, de forma irregular, a sua concessionária de energia eléctrica altamente lucrativa, eficiente e de baixa preço».
No texto, a federação sindical dirige críticas igualmente aos governos dos estados do Rajastão e de Telangana, em virtude dos passos que tomaram no sentido da privatização do sector, e chama a atenção para a celeridade com que está a avançar no processo de privatização das empresas de distribuição em vários outros estados.
Advertindo que o governo central está a preparar um projecto de lei de emenda à Lei da Electricidade, como parte do assalto final ao sector da distribuição, a EEFI informa que vai levar a cabo encontros regionais com vista à preparação das acções de luta decididas na convenção deste domingo e que, já no mês de Março, serão organizadas quatro mobilizações em Uttar Pradesh em protesto contra as tentativas de privatização do sector.
«A luta vai intensificar-se nos próximos dias», declara.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui