|Bélgica

Sindicatos belgas destacam «êxito» da greve e afirmam que é preciso mudar de rumo

Ao fazerem uma avaliação da jornada de greve geral, os secretários-gerais de FGTB e de CSC destacaram o «êxito» da paralisação e reiteraram críticas às políticas anti-laborais e anti-sociais do governo belga.

Sindicatos e PTB destacaram o «êxito» da greve geral desta segunda-feira na Bélgica Créditos / PTB

Em declarações recolhidas pelo portal rtbf.be, o presidente da Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB/ABVV), Thierry Bodson, fez «uma avaliação muito positiva» da greve geral desta segunda-feira e disse que a jornada de luta passa ao governo de De Wever a mensagem «de que precisa mesmo de mudar de rumo».

«O êxito é total e generalizado», frisou Bodson ao abordar a greve geral. «Seja no sector da distribuição, no sector da mobilidade, nos transportes ou no sector público, podemos realmente verificar que é um grande, grande êxito e que a actividade económica está quase paralisada hoje na Bélgica», disse.

Os sindicatos fizeram questão de pressionar o governo no sentido de reconsiderar as suas posições e, de acordo com o secretário-geral, a «mobilização vai crescer ainda mais», em parte porque as estruturas sindicais terão uma intervenção decisiva na explicação do que as medidas do governo significam, «à medida que os textos legais forem divulgados nos próximos dias e semanas».

«Não há nada ali que seja um sinal positivo para o mundo do trabalho»

A secretária-geral da Confederação de Sindicatos Cristãos (CSC/ACV) mostrou-se igualmente muito crítica em relação aos planos do governo De Wever. «Não há nada ali que envie um sinal positivo para o mundo do trabalho», destacou Marie-Hélène Ska.

«Toda a gente está condenada a trabalhar mais horas, sem qualquer discussão sobre as condições de trabalho», denunciou a dirigente sindical. «Não há um euro para aumentar os salários», criticou, denunciando ainda «a perda de previsibilidade na capacidade de conciliar a vida privada com a profissional».

Mobilização no âmbito da greve geral de 31 de Março na Bélgica / PTB

A urgência do executivo federal em apresentar uma reforma é algo que também não passa ao lado dos trabalhadores. «Vejo que, do dia para a noite, estão a ser desbloqueados 800 mil milhões de euros sem qualquer discussão para se poder rearmar em quaisquer condições e sem saber o que fazer com isso», disse ainda Ska.

Neste sentido, considerou no mínimo «indecente» vir dizer «aos trabalhadores, aos que se levantam cedo e que estão a lutar para sobreviver que faltam cinco minutos para a meia-noite e que não há mais nada a fazer».

Sobre os apelos do patronato – muito indignado com esta greve geral e com outras acções de luta já anunciadas, nomeadamente para dia 29 de Abril – ao «diálogo», para debater «um programa que é aquele que o patronato queria», a dirigente sindical disse achar-lhe piada, sobretudo porque, hoje, «não há grande coisa a negociar».

«O governo federal goza com o mundo do trabalho»

Ao explicar, no seu portal, a premência da greve geral de 31 de Março, a FGTB/ABVV sublinha que o governo Arizona (como é designada a coligação governamental) anunciava «poder de compra em alta e melhorias para as carreiras», mas «nada disso é verdade».

A greve geral realiza-se porque «chegou a hora de o mundo do trabalho ser ouvido», destacou a central sindical, ao enumerar «múltiplos e incessantes ataques», que passam por cortes nas pensões e pela obrigatoriedade de trabalhar mais anos para auferir uma reforma mais pequena.

Piquete no sector dos transportes / PTB

A FGTB alerta para a precariedade «levada ao extremo» (enquanto o patronato «está sentado numa poltrona»), para as «poupanças à custa dos reformados, dos trabalhadores à procura de emprego e dos serviços públicos», e para o agravamento da situação da mulher, que é particularmente atingida pelas políticas de austeridade.

Impedir o roubo das pensões, defender os salários e a Segurança Social

Também o Partido do Trabalho da Bélgica (PTB/PVDA), que classificou esta greve como a maior da última década (com imapcto em todos os sectores de actividade e mais de 700 piquetes por todo o país), destacou, no seu portal, a importância da jornada de luta, afirmando que, se agora são os patrões e os ultra-ricos que sussurram aos ouvidos do governo federal, é preciso que os trabalhadores façam ouvir a sua música.

Entre os vários aspectos sublinhados pelo PTB – defesa das pensões, fim do congelamento salarial, oposição ao «aperto de cinto» para os trabalhadores com os ultra-ricos à larga –, refere-se também a oposição ao «rearmamento» exigido pela Comissão Europeia, porque o dinheiro não aparece «por magia» e «aquilo que for para um lado vai ser tirado a outro».

Por isso, o PTB alerta que nos planos deste governo, alinhado com a deriva militarista da União Europeia, está o corte de centenas de milhares nos cuidados de saúde e nas pensões para «aumentar de forma massiva o orçamento militar».

«Recusamo-nos a destruir a nossa segurança social para financiar a escalada militar», declara o partido de esquerda, a propósito da jornada de greve.

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