Realizou-se esta quarta-feira, em Teerão, uma reunião entre representantes do governo de Cabul e de grupos de combatentes talibãs que se lhe opõem, organizada pelo Irão com o fim de promover o diálogo entre as partes, para «resolver os seus conflitos e promover uma paz duradoura».
O encontro foi anunciado na manhã de quarta-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão e confirmado por um porta-voz talibã. Segundo a PressTV, participaram no mesmo quatro delegações que incluíram representantes do governo e do parlamento afegãos e de grupos talibãs, bem como personalidades afegãs «que apoiam o sistema republicano» naquele país.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, afirmou aos participantes a disponibilidade da República Islâmica do Irão para promover negociações entre as diversas facções afegãs a fim de resolver os conflitos e as crises que assolam o Afeganistão.
A paz é a melhor opção
Zarif alertou para as graves consequências das prolongadas disputas que assolam o país vizinho e apontou uma solução política das mesmas como a melhor opção para todos os envolvidos.
O chefe da diplomacia iraniana sublinhou o compromisso do Irão em contribuir para um completo desenvolvimento político económico e social do Afeganistão, depois do estabelecimento da paz.
Nos últimos meses, o Irão tem repetidamente defendido medidas dirigidas para o estabelecimento da paz no Afeganistão e, apesar de os talibãs afirmarem «ter a vantagem no campo de batalha», um porta-voz iraniano frisou, na semana passada, a necessidade de um governo inclusivo que envolva todas as partes, e preveniu que os talibãs «representam apenas uma parte do Afeganistão, não o presente nem o futuro» do país.
«Os Estados Unidos falharam no Afeganistão»
Durante a sua intervenção inicial, Javad Zarif apontou a derrota dos Estados Unidos no Afeganistão e considerou a presença norte-americana responsável pela destruição a que o país foi sujeito.
«Os Estados Unidos falharam no Afeganistão», afirmou Zarif, «e a sua presença no país por mais de duas décadas causou enormes estragos no Afeganistão». O chefe da diplomacia de Teerão apelou «ao povo e aos líderes políticos do Afeganistão» para assumirem «decisões difíceis para o futuro do país».
Os esforços de paz de Teerão acontecem e as declarações do ministro foram feitas um dia depois da retirada das tropas dos EUA da estratégica base de Bagram, nas proximidades de Cabul, a meio da noite e abandonando-a a saqueadores, sem esperar sequer pela chegada das tropas governamentais, como noticiou a RT News.
O Comando Central dos EUA anunciou que 90% das suas forças tinham retirado do Afeganistão até à passada segunda-feira. Desde que as tropas dos EUA começaram a deixar o Afeganistão, em Maio de 2021, os talibãs intensificaram as suas operações militares contra as forças governamentais, tendo ocupado mais uma centena de centros distritais. Nalguns casos, os militares afegãos foram obrigados a refugiar-se em países vizinhos, como aconteceu no Tajiquistão, onde mais de mil soldados de Cabul se refugiaram, no início de Julho.
Os EUA e os seus aliados invadiram o Afeganistão em 2001, numa autoproclamada guerra ao terrorismo, e propunham-se erradicar os talibãs «numa operação que iria demorar alguns dias, segundo afirmou na altura o então presidente George W. Bush. Vinte anos depois, o objectivo proclamado nem remotamente foi atingido, faz notar a PressTV.
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