Xi Jinping, secretário-geral do Partido Comunista da China (PCC), discursou esta quarta-feira no Grande Salão do Povo, em Pequim, no âmbito das comemorações dos 105 anos da fundação do PCC.
Xi também condecorou oito membros com a Medalha 1.º de Julho, a mais alta distinção partidária do país, que foi criada em 2021 para assinalar o centenário do PCC e é concedida a militantes com contributos excepcionais para o Partido e o país. Na mesma ocasião, foram homenageados militantes exemplares, destacados funcionários partidários e organizações de base de todo o país.
O PCC conta hoje com 101 milhões de militantes, tendo superado pela primeira vez a marca de 100 milhões no ano passado, refere o jornalista Mauro Ramos no Brasil de Fato.
Ao rever a trajectória centenária do Partido, Xi enumerou cinco conquistas de 105 anos de «esforços incessantes»: a mudança fundamental no destino do povo chinês, com a superação da pobreza extrema e a construção de uma sociedade moderadamente próspera; a abertura do «caminho correcto» para a revitalização da nação, identificado com a modernização de estilo chinês; a demonstração da «vitalidade do marxismo», por via da articulação dos princípios marxistas com a realidade concreta chinesa e com a cultura tradicional do país; a influência profunda na história do mundo, com a «criação de uma nova forma de civilização humana»; e o fortalecimento do próprio PCC, que Xi descreveu como «o maior partido governante do mundo, com influência global significativa».
«A China socialista, liderada pelo Partido, é reconhecida como construtora da paz mundial, contribuinte para o desenvolvimento mundial e defensora da ordem internacional», declarou Xi.
Meta centenária do Exército
Xi Jinping exigiu o cumprimento pontual da meta do centenário do Exército de Libertação Popular (ELP). Em 2027, o ELP celebra 100 anos desde a sua fundação, em 1927, durante o período revolucionário. A data constitui uma etapa estratégica intermediária: a meta de 2027 antecede a modernização básica da defesa nacional, prevista para 2035, e a construção de forças armadas «de classe mundial», para 2049, no fim da segunda meta centenária.
«É necessário implementar integralmente o Pensamento de Fortalecimento Militar da Nova Era, executar a nova directriz estratégica militar e cumprir, dentro do prazo, os objectivos do centenário do Exército», afirmou Xi, citado pela fonte.
O objectivo do centenário abrange a conclusão da modernização integrada das forças armadas em três dimensões: mecanização, informatização e incorporação de sistemas de inteligência artificial nas operações militares.
Para alcançar o objectivo no prazo previsto, o Exército Popular de Libertação deve avançar simultaneamente em combate, preparação para a guerra e construção das forças. Xi reiterou os cinco pilares do fortalecimento militar: desenvolvimento político, reforma, ciência e tecnologia, formação de recursos humanos e estado de direito.
O secretário-geral do PCC sublinhou ainda a necessidade de «defender resolutamente a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento nacionais», e de contribuir em maior medida «para a paz e o desenvolvimento mundiais».
Humanidade na encruzilhada
Ao abordar a conjuntura internacional, Xi Jinping disse que «o desenvolvimento da China se encontra num período de coexistência de oportunidades estratégicas, riscos e desafios, com factores incertos e imprevisíveis a aumentar». «É preciso estar sempre preparados para enfrentar provas severas, incluindo ventos fortes e ondas agitadas, ou mesmo tempestades e mares revoltos», declarou o secretário-geral.
Xi afirmou que «o mundo entrou num novo período de turbulência e transformação» e que «a humanidade se encontra novamente numa encruzilhada». Para enfrentar este cenário, o secretário-geral instou o PCC a reforçar a consciência do perigo, a manter o pensamento crítico e a melhorar a sua capacidade de «antecipar as mudanças, perceber os riscos a tempo e responder com eficácia aos desafios».
O secretário-geral também reiterou a necessidade de promover as iniciativas globais da China em matéria de desenvolvimento, segurança, civilização e governação.
Teoria, linha e estratégia fundamentais
Nas comemorações do 105.º aniversário, Xi Jinping reafirmou que o PCC deve persistir nas «três questões fundamentais»: a teoria, a linha básica e a estratégia do Partido. «Estas constituem as principais conquistas obtidas após um árduo trabalho do Partido e do povo, e são as directrizes fundamentais para a causa do Partido e do Estado», disse.
A teoria fundamental abrange o conjunto do pensamento marxista adaptado à realidade chinesa ao longo de mais de um século, incluindo o pensamento de Mao Zedong, as teorias de Deng Xiaoping, o conceito das «Três Representações», a Perspectiva Científica do Desenvolvimento e o Pensamento de Xi Jinping para o Socialismo com Características Chinesas da Nova Era.
A linha fundamental do Partido orienta o período inicial do socialismo com base no princípio de «um centro e dois pontos básicos»: a construção económica como eixo central, a manutenção dos quatro princípios fundamentais (o caminho socialista, a ditadura democrática popular, a liderança do PCC e o marxismo-leninismo) e a continuidade da reforma e abertura, refere o jornalista no Brasil de Fato.
Acrescenta que a estratégia fundamental surgiu no XIX Congresso Nacional do PCC, em 2017, e integra 14 «compromissos» que guiam a prática do socialismo na nova era, reunindo o que antes eram cinco documentos programáticos separados.
Xi associou a adesão às «três questões fundamentais» às «quatro confianças» que o Partido deve manter: a confiança no caminho, na teoria, no sistema e na cultura do socialismo chinês. O secretário-geral exortou o Partido a «manter inabalável o caminho e os objectivos» e a aprofundar o pensamento socialista da nova era em todas as esferas da governação.
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