Na semana em que Donald Trump anunciou tarifas a produtos europeus, o ministro da Economia, Pedro Reis, na inauguração de um centro de dados em Sines, aproveitou o momento para apelar a parcerias estratégicas com os Estados Unidos da América (EUA).
«Que boa semana para relembrar que queremos construir com os Estados Unidos uma parceria estratégica profunda, num mercado que é essencial para nós todos e que os Estados Unidos é uma referência também nos gigantes tecnológicos, mas para todos os outros sectores», afirmou o ministro, ignorando o facto de Washington não ter interesse algum no «velho continente».
No seu discurso, Pedro Reis vincou que o evento em que estava era bom «para testemunhar o quanto é fundamental um sinal de compromisso entre os Estados Unidos, Portugal e a Europa para uma agenda comum para o crescimento e para a aproximação comercial».
As declarações do ministro são naturais uma vez que por consequência do desmantelamento do aparelho produtivo derivado da integração europeia e a ausência de alternativas de parcerias comerciais fora do raio de influência do imperialismo norte-americano, Portugal colocou-se numa posição de dependência externa.
Em 2023, o peso das exportações portuguesas para os EUA corresponderam a 2% do PIB, tornando este país o principal parceiro comercial extracomunitário. Os principais sectores são os do fabrico de têxteis, de fabricação de produtos minerais não metálicos (que inclui vidro, produtos cerâmicos e cimento), as indústrias das bebidas, dos equipamentos informáticos, de comunicações, eletrónicos e óptica e indústria do couro.
De acordo com o Banco de Portugal, num estudo divulgado no novo boletim económico, para estes sectores, a percentagem de empresas portuguesas com exposição relevante ao mercado norte-americano varia entre 8% a 12% e perto de 70% do valor dos bens exportados por Portugal para os EUA enfrentam tarifas entre 0% e 2%.
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