Os números divulgados pelo grupo espanhol indicam que em Portugal foi registado um volume de negócios de 655,5 milhões de euros, um EBITDA de 74 milhões e um resultado líquido de 44,9 milhões.
Apesar dos milhões arrecadados, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) questiona a distribuição da riqueza criada. Em comunicado, o sindicato salienta que estes lucros são o resultado «do trabalho diário de milhares de trabalhadores», mas denuncia que a empresa continua sem responder a problemas estruturais .
Entre as principais críticas do sindicato estão os salários insuficientes que não acompanham o aumento do custo de vida; os critérios de mérito e discriminação, nomeadamente o sistema de «avaliação de talento» assente em critérios subjectivos e gerador de desigualdades; e a sependência de comissões, que não substituem um salário digno, uma vez que não são um rendimento garantido para todos e não contam para o cálculo de subsídios, baixas ou reforma.
Para a estrutura sindical, num momento em que a empresa comemora resultados robustos, os aumentos salariais tornam-se uma questão premente, assim como a defesa dos direitos e o combate às desigualdades entre trabalhadores.
O CESP recorda ainda a recente vitória dos trabalhadores contra o pacote laboral proposto pelo Governo, como exemplo do que a luta organizada dos trabalhadores é capaz, e sublinha que a luta colectiva é a via para garantir uma parte justa dos lucros no El Corte Inglés.
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