O Caderno Reivindicativo apresentado pelos trabalhadores da Coca-Cola em Portugal era claro no que toca às suas pretensões salariais. Face a uma remuneração «manifestamente insuficientes», os trabalhadores exigiram «um acréscimo de 15% nos vencimentos de 2025», com um mínimo de 150 euros para todos os salários inferiores a mil euros.
Nas reuniões realizadas entre a empresa e o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN) foi ainda reforçada a necessidade de recuperar os 25 dias de férias (como era prática antes de 2012), garantir 1 dia de folga nos aniversários e assegurar um subsídio de alimentação de 17 euros sempre que a empresa não garantisse uma refeição, entre muitas outras propostas (como a integração nos quadros de milhares de prestadores de serviços).
Enquanto este processo decorria, e sem que nada o fizesse prever, a Coca-Cola «interrompeu as negociações do caderno reivindicativo e, num acto de gestão, decidiu aumentos de salários de 3% e 0,50 cêntimos no subsídio de refeição», um cenário muito distante do exigido pelos trabalhadores.
Foi também introduzido um prémio mensal de 175 euros para as chefias e 150 euros para os demais trabalhadores, um prémio que, explica o SINTAB, está sujeitos a quatro critérios complexos e que, por conseguinte, muito dificilmente será atribuído aos trabalhadores, «uma discriminação clara e injusta de quem produz a riqueza desta empresa».
Para aceder aos prémios os trabalhadores têm de garantir a Assiduidade (que vale 40%); a Performance (30%), que se relaciona com a produtividade de cada trabalhador; o Serviço ao Cliente (20%), reclamações, bloqueio na produção; e Cultura (10%), um termo que esconde outro propósito: «impedir quebras, conservação de material, capacitação individual».
«A Assiduidade e Cultura são factores individuais, enquanto Performance e Serviço ao Cliente são objectivos colectivos». Há uma razão para as empresas aplicarem estes prémios em vez de aumentos salariais: o salário é certo, os prémios dependem da vontade do patronato. O sindicato realça que, antes de encetar todas as formas de luta à sua disposição, o SINTAB «continua disponível para o diálogo de forma a premiar as condições de vida e familiar dos trabalhadores de forma a encontrar a paz social entre trabalhadores e empresa».
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