«Qual foi a média dos exames nacionais? Foi mais alta ou mais baixa do que nas outras escolas? Em que disciplina se destacou? Escolha o distrito, o concelho, a escola e fique a saber os resultados». É palpável o entusiasmo do Expresso, entusiamo esse partilhado pelo Público (em parceria com a Católica Porto Business School): «Veja em que lugar ficou a sua»! O Observador, por seu lado, regozija-se: «Menos escolas públicas no top 100 em 2024» é o destaque.
O exercício pode parecer, teoricamente, interessante, mas para que tal o seja, é preciso abdicar de uma perspectiva concreta e real sobre o que se passa nas escolas portuguesas. «Apesar de envoltos numa aura de rigor, exigência e tecnologia», afirma a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN), os rankings, baseando-se em «exames nacionais que hierarquizam e eliminam alunos, que desprezam a aprendizagem saudável e a avaliação contínua e que estimulam o individualismo», mais não fazem do que serializar e estigmatizar escolas, desprestigiar o trabalho das escolas e dos professores e promover «a competição em detrimento da cooperação».
Cada uma das publicações avança com o seu próprio método de avaliação das escolas, escolhe, portanto, diferentes critérios consoante a narrativa que se queira estabelecer sobre a 'validade' do sistema de ensino português. O Público opta por um «ranking de superação»; o Expresso oferece uma perspectiva de competição escolar interdistritial e concelhia; o Observador apresenta o tradicional ranking das médias dos exames, o que lhe permite apresentar apenas uma escola pública nos primeiros 40 lugares.
Não passa, no fundo, de um «folclore anual» construído para alimentar e reforçar «o preconceito ideológico de que o privado é bom e o público é mau e assim engordar» o negócio privado da educação, «também à custa do Estado», denuncia a Fenprof. 25 anos depois da publicação deste primeiro exercício abstracto, a estrutura sindical mais representativa dos professores portugueses continua a considerar os rankings como «um embuste».
Neste contexto, da escola mercadoria, em que um ano inteiro de trabalho com os alunos é condensado num número, um número diluído nas centenas de números de outros colegas, a Fenprof não perde a oportunidade de saúdar «todos os professores que, diariamente, continuam a pugnar por uma educação e uma escola de qualidade para todos, buscando a formação integral dos alunos, apesar da insidiosa desconfiança que todos estes expedientes lançam sobre si».
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