A revelação foi feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil, na sua conta de Telegram. «O presidente Nicolás Maduro levou a cabo um intenso trabalho diplomático para sensibilizar e exigir acções à comunidade internacional relativamente ao sequestro de mais de 200 migrantes venezuelanos nos Estados Unidos e El Salvador», disse.
Neste contexto, enviou comunicações a Amy Pope, directora-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), e a Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
Com estas acções, o executivo de Caracas procura apoio para os mais de 200 migrantes venezuelanos que se encontram encarcerados numa prisão de máxima segurança em El Salvador, depois de para ali terem sido deportados pela administração norte-americana.
De acordo com o diplomata, as comunicações agora enviadas juntam-se às que foram dirigidas na semana passada ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e ao Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, além de outros fóruns regionais e multilaterais.
Segundo refere a VTV, Yván Gil sublinhou que estas figuras representam um sistema internacional que deve responder pelo que classificou como «sequestro dos compatriotas».
Violação dos direitos dos venezuelanos, dos latino-americanos e dos migrantes em geral
Ao intervir, na quinta-feira, no primeiro dia de trabalhos do Seminário Internacional sobre a Criminalização da Migração e os Direitos Humanos dos Migrantes, em Caracas, o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros destacou os esforços do seu governo para sensibilizar a chamada comunidade internacional e lhe exigir medidas sobre os quase 250 migrantes venezuelanos detidos em El Salvador.
Gil lamentou o silêncio dos vários organismos internacionais, «passados 19 dias», tendo referido que talvez estejam a analisar a situação para «preparar um documento exaustivo» e dar uma «resposta contundente». Neste caso, frisou, está-se a violar não apenas o direito dos venezuelanos, mas o dos latino-americanos e dos migrantes em geral.
Na sua intervenção, refere a VTV, o diplomata destacou também o conluio entre a extrema-direita e o imperialismo «para se apoderarem dos recursos naturais» do país e lembrou que a causa da migração, que é criminalizada, são as sanções e o bloqueio económico «cruel e desumano» a que Venezuela é submetida.
Migrantes criminalizados num mundo que se vangloria da globalização e da livre circulação
Na abertura do evento, na Casa Amarela (sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Caracas), o vice-ministro para a América Latina, Rander Peña, reafirmou a decisão do executivo venezuelano de «trazer sãos e salvos os irmãos que estão nesta complexa situação».
Peña apontou o paradoxo de um mundo que se vangloria da globalização económica e da livre circulação de capitais, onde «os migrantes são criminalizados, vigiados, excluídos, tratados de maneira cruel e desumana».
Para esta sexta-feira, estavam previstas as intervenções do procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, de Rander Peña e do jurista brasileiro José Alexandre Ferreira Guedes, num painel dedicado ao «estado de excepção imperial: crónica do sequestro de venezuelanos em El Salvador».
O Seminário Internacional sobre a Criminalização da Migração e os Direitos Humanos dos Migrantes foi organizado pela Internacional Antifascista, com a participação de especialistas venezuelanos e de vários países, bem como de organismos ligados aos direitos humanos.
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