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Wagner Moura regressa ao teatro e a Lisboa

A encenadora brasileira Christiane Jatahy e o actor Wagner Moura apresentam esta semana em Lisboa uma peça que criaram em conjunto, na qual um júri de espectadores decide se o protagonista é ou não «um inimigo do povo».

Créditos Rodrigo Antunes / Agência Lusa

Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, que terá apresentações no Centro Cultural de Belém (CCB) a partir de hoje e até domingo, 5 de Julho, «não é uma adaptação» de Um inimigo do povo que Ibsen escreveu em 1882, salientou a encenadora, numa conferência de imprensa, referindo tratar-se de «um novo texto, uma possibilidade sobre o depois» da história do texto do dramaturgo norueguês.

Na peça de Ibsen, a personagem principal, Dr. Thomas Stockmann, tenta alertar para a contaminação das águas das termas da sua cidade, na costa da Noruega. As autoridades locais, temendo o impacto financeiro na cidade com o encerramento do espaço ao turismo, hostilizam Stockmann, declarando-o um inimigo do povo.

Segundo Christiane Jatahy, na peça que chega agora a Lisboa, depois de ter sido apresentada em Amesterdão e no Brasil, «95% do texto é novo e o resto é Ibsen».

«O passado forma os personagens e a peça, que é passada completamente hoje, como se Ibsen tivesse escrito Um inimigo do povo há seis anos. E [a história] acontece em cada lugar onde levamos o espectáculo», referiu.

Em Um Julgamento há em palco um tribunal, mas não no sentido literal. No entanto, «11 espectadores vão decidir se Thomas Stockmann [personagem interpretada por Wagner Moura] é ou não um inimigo do povo».

A possibilidade de participar na peça é oferecida ao público no momento de entrada na sala, altura em que são distribuídas 50 pulseiras aos interessados. Entre os 50, são sorteados 11, que estarão em palco, «mas não são expostos».

Os jurados escrevem as perguntas, que não são identificadas, às quais a personagem de Wagner Moura responde. Além disso, explicou ainda a encenadora, «a votação sobre a inocência ou culpa de Thomas é anónima». Em cada cidade onde a peça é apresentada há um actor ou uma actriz local que coordena o júri. Em Portugal, foi escolhida a actriz Cleo Diára.

Wagner Moura disse que as perguntas são respondidas de improviso, visto que são feitas no momento, e para dar as respostas regressa à obra de Ibsen.

Um Julgamento visa, entre outros, chamar as pessoas a decidirem e pensarem. A peça, à semelhança da obra de Ibsen, aborda temas como ecologia, a relação entre política e ciência, o papel da imprensa, as ‘fake news’ e “os discursos que oscilam entre a liberdade de expressão e a ameaça à democracia”.

Além de Wagner Moura, Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, conta também no elenco com Danilo Grangheia e Julia Bernat, em palco, Marojrie Estiano, Jonas Bloch e Salvador Moura, em filme.

Esta peça marca também o regresso de Wagner Moura ao teatro. A última vez que tinha subido a um palco foi em 2009, em Hamlet. «O Teatro é um compromisso muito importante, muito sagrado, para mim. Só faço quando me mobiliza muito», partilhou.

Com uma carreira iniciada no teatro, em Salvador da Bahia, Wagner Moura ganhou reconhecimento internacional ao interpretar Pablo Escobar na série Narcos, da Netflix. No ano passado foi distinguido no Festival de Cannes com o prémio de Melhor Actor pela sua interpretação no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, papel que lhe valeu também um Globo de Ouro e uma nomeação aos Óscares.

«Os actores eventualmente precisam de voltar ao teatro. Eu preciso. Há no teatro uma ligação muito forte com a natureza do que é para mim ser ator”, disse.

Um Julgamento é uma coprodução entre o CCB, o Holland Festival (dos Países Baixos), o Festival d'Avignon (França), o Edinburgh International Festival (Reino Unido) e o centro de artes DeSingel (Bélgica). 

Com agência Lusa

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