|SNS

Quando a CUF abre 12 centros de saúde, Governo insiste em entregar SNS aos privados

A CUF abriu hoje 12 centros de saúde na zona da Grande Lisboa. Horas depois, o primeiro-ministro reafirmou que o Governo não vai prescindir das PPP no SNS, depois de já ter avançado com a entrega de Unidades de Saúde Familiar aos privados.

CréditosManuel de Almeida / EPA

Pela primeira vez em Portugal, um grupo privado abre centros de saúde e o momento não deixa de ser interessante. Semanas depois do Governo ter anunciado que avançará com Parceiras Público-Privadas no SNS, a CUF inaugurou 12 centros de saúde na zona da Grande Lisboa. 

A verdade é que já em Setembro, o executivo liderado por Luís Montenegro tinha já avançado com as Unidades de Saúde Familiar modelo C, ou seja, centros de saúde geridos pelos sectores social e privado, prevendo a instalação de 20 unidades, a maioria em Lisboa.

No que pode ser encarado como uma coincidência, também hoje, na inauguração da Unidade de Saúde Familiar (USF) Feira Sul, em Milheirós de Poiares, o primeiro-ministro disse não prescindir do modelo de parcerias com as instituições sociais e privadas na área da saúde. 

«Nós não prescindimos das instituições sociais que oferecem serviços de saúde. Nós não prescindimos das instituições privadas que são complementares. Nós não prescindimos disso, mas não é para fazer nenhum favor nem às instituições sociais nem às instituições privadas», disse o primeiro-ministro do Governo derrubado.

A declaração de Luís Montenegro vem na sequência do anúncio de um excedente orçamental que está a ser propagandeado como um autêntico prémio, mas que não passa de uma recusa de investimento do SNS. A estratégia, cada vez mais evidente, assenta na degradação do sector público para depois entregar este aos privados, como se pode observar. 

De resto, o sector da saúde tem sido o espelho da governação do PSD/CDS-PP que em campanha eleitoral, há um ano, prometeu um plano a curto prazo para acabar com as listas de espera e atribuição de médicos de família. Desde então têm-se multiplicado as urgências fechadas, os utentes sem um profissional de saúde que os acompanhe. 

Na inauguração, Luís Montenegro disse ainda ter «um profundíssimo respeito por quem trata da vida dos outros, por quem tem que lidar com a ida dos outros e tem que explicar aos outros o que tem de fazer para preservar a sua saúde», no entanto, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) acusou por diversas vezes a ministra da Saúde de violar a lei ao recusar negociar. 

Sobre esta última questão, importa lembrar que em Dezembro do ano passado, a própria FNAM anunciou ter accionado os mecanismos legais à sua disposição, enviando um ofício à Direção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT) e ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social para activar o processo negocial com a tutela.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui